Arquivos do Buzzwords blog: June 2007. Click aqui para os posts mais recentes..

3:AM Top 5: Tetine (publicado 10/06/2007)

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Eliete Mejorado, vocal feminino do duo Tetine, nos conta o que tem escutado ultimamente, aqui vai seu Top 5:

1. Planning to Rock - ‘Changes’
2. Sexo Explicito - ‘O Futuro’
3. Bonde Das Bad Girls - ‘Tcheca Tcheca Cheia de Sebo’
4. Tetine - ‘Everything Must Die’
5. Mick - ‘Soy Pobre (Nuevos Ricos 2004)’

Rádio Saara (publicado )

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foto de Matias Maxx

Num centro do Rio que mantém ares de Oriente Médio, a região do Saara (Sociedade dos Amigos e Adjacências da Rua da Alfândega) garante seu clima peculiar de feira de rua graças à freqüência diária de 150 mil pessoas à 1200 estabelecimentos, restaurantes e lojas que vendem toda sorte possível de bugigangas, e também à trilha sonora proposta pela inacreditável Rádio Saara. Longe de ser mais uma rádio comunitária, a programação diária deste sistema de som que abrange uma de malha vinte e tantas ruas (graças a auto-falantes pendurados nos postes) é composta por uma grade publicitária na qual o texto popular e debochado de seus spots conquista a atenção dos ouvintes por bem ou por mal.

“Estamos nas ruas da Saara fazendo uma reportagem com a seguinte pesquisa: qual é o melhor restaurante do centro do Rio? / Ah! dona repórti (sic), é o Macedônia Grill. No Macedônia Grill tem um super ar-condicionado! / Minha Nossa Senhora, é o Presidente! Vamos dar um furo! O Lula está na Saara! Presidente, presidente: qual é o melhor restaurante do centro do Rio? / (voz imitando o Lula) É o Macedônia Grill! Lá tem uma gastronômica, ou, desculpe, uma nutricionista / Lula, e o Mensalão? / O melão de lá é uma delícia, tchau! / Restaurante Macedônia Grill, agora, sem balança!”

Por um valor que varia entre 800 e 1000 reais, os lojistas da região encomendam à própria rádio uma peça publicitária que dura cerca de um minuto, e através de mensagens que marcam pelo humor (ou mau gosto), anunciam seus pontos – citados sempre com a rua e o número da loja, que é para o freguês saber como chegar lá.

Do outro lado do auto-falante, o diretor de programação Beto Salóes convoca desde o office-boy à recepcionista da rádio para gravarem as vozes com seus diálogos e jingles que causam risos e acessos de ira nos fregueses que passam pelas ruas. Para Renato Alves, coordenador de programação da rádio,”o grande segredo é o número de vozes, pois não dá pra imaginar mais de oito horas de programação com a mesma voz”. Como se trata de uma rádio cujos anunciantes formam uma comunidade composta em sua maioria por árabes e judeus que já passaram dos 50, trotes ao vivo interrompendo a programação, dando conta da morte de um ou outro lojista são recorrentes.

No Orkut, comunidades à favor e contra a inventividade da Rádio - que existe desde os anos 70, mas que completa 10 anos com esta programação inovadora – vivem momentos acalorados entre boatos sobre seus funcionários e relatos ressentidos da desafinada que entoa um jingle de uma casa de cristais. Na vida real, a rádio já foi usada como referência para uma novela da TV Globo (Cobras e Lagartos) e angaria mais sucesso ainda com a segunda edição do concurso Garota da Laje – que dará às gatinhas que exibirem a “melhor beleza comunitária”, um carro usado, uma piscina de fibra de vidro, uma laje pré-moldada e um destaque no Sabadáço da TV Bandeirantes, com o Leão.

Patricia Rocha.

3:AM Top 5: Pete Reilly (publicado 09/06/2007)

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Pete Reilly é o dono da Soul Jazz Records (um dos produtos na foto) e está ouvindo recentemente:

1. ‘Check It’ - Skream and Warrior Queen (Tempa)
2. ‘Informer’ - Lady Ann (Crazy Joe)
3. ‘Bad Boy Lick A New Shot’ - Ninjaman, Bounty Killer, Beenie Man and Ninja Ford (Greensleeves / Soul Jazz)
4. ‘Jah War’ - Loefah (Ninja)
5. ‘Dar Es Salaam’ - Dub Specialist (Studio One)

Esperança no Brasil (publicado 07/06/2007)

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A editora Rocco lança o primeiro romance de Laila Lalami no Brasil, a autora começou a escrever A esperança é uma travessia depois de ler uma pequena nota, publicada no site do jornal francês Le Monde, sobre um grupo de quinze imigrantes que morreram ao tentar cruzar o estreito de Gibraltar à noite, em pequenos botes infláveis. Com realismo e precisão quase jornalísticos, Lalami utiliza o fato como ponto de partida de seu romance.

Lit Festival (publicado 06/06/2007)

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Acha que o Festival de Literatura de Londres será a última palavra em eventos literários esse mês?

Melhor pensar denovo

Perfil: Petite Poupée7 (publicado 05/06/2007)

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Há tempos que o grafite não é coisa só “de” e “para” machos, com suas letras territoriais e amarguras sobre a cidade grande. Tanto na atitude quanto nos traços, garotas que recusam o estilo bomb man vêm expondo sua feminilidade, seus desejos, seu erotismo. As pinturas das francesas Miss Van e Mademoiselle Kat podem ser consideradas um marco no início da década de 90. No Brasil, temos nossa Petite Poupée7, a assinatura artística da carioca Daniele Vieira, 28 anos, também denominada escritora de rua.
O delay de uns 10 anos entre França e Brasil nessa tendência artística tem seus motivos. “Nunca pensei que poderia provocar algum tipo de manifesto/reação positivo(a) ou negativo(a) com a imagem das petites poupées, mas, quando vi tinta vermelha entre seus seios e genitais ou então pixações ao lado da boneca como “puta”, não sabia se era pra mim ou para a boneca ou se aquela tinta era pra me fazer parar de pintar. Então percebi esse lado sensual e sexual, erótico da boneca, que eu nunca pensei que agrediria as pessoas. Sem demagogias: as pessoas não estão prontas pra muitas coisas aqui no Brasil e no mundo”, conclui.
Grandes peitos, calcinhas e lingeries a mostra num retrato urbano, com um certo perfume onírico e muito amor pra dar registrado em versos que envolvem suas bonecas. Petite Poupée7 pinta grandes painéis nas ruas e delicados quadros em tela, aliando a força urbana à ingenuidade naïf de seus pincéis. A poeta Maria Rezende define com suas palavras o trabalho: “Pequenas bonecas cheias de atitude são as mulheres de Petite Poupée7. Aos berros de cor nos muros ou sussurrando seus segredos em pequeníssimas telas, elas carregam a fartura do feminino, suas angústias, seu ridículo, sua beleza. Belas como porradas. E doces. Sutis no exagero de suas formas, são violões à última potência”.
Por menos intencional que seja, como se isentou Dani durante a entrevista, a expressão sexual de suas bonecas mexe com as pessoas que por elas passam. “Cara, eu só parei pra pensar nesse lado erótico quando vi algumas pessoas interagirem ‘em cima’ da minha arte. Eu gosto e sempre gostei de trabalhar com o nu, mas nunca tive idéia sobre até que ponto essas petite poupées iriam chamar a atenção das pessoas. Acabei vendo que, de certo modo, eu mexo com o lado sexual de quem vê, algo que jamais imaginei. Mas como diz meu amigo Carlos Contente, ‘tá na rua, né!’”.
Dani teve seu primeiro contato com a arte de rua fotografando o trabalho grafiteiro carioca Smael. Nas artes plásticas, suas referências primeiras foram as pinturas do francês, Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir, o trabalho do espanhol Juan Miró e do holandês Van Gogh. Com a rebeldia da adolescência veio o interesse e a admiração pelas obras como Salvador Dali e de Jean-Michel Basquiat. Hoje, após quatro anos de trabalho, Daniela já expôs em algumas galerias cariocas voltadas para a produção contemporânea de arte, na International Poster Art, de Roma, na Itália, em 2006 e 2007; além das exposições virtuais, nos sites Streetsy, Ekosystem e Juxtapoz.
Se o relacionamento com as telas exige carinho, é pintando na rua que a libido da moça se desperta. “Dá o maior tesão mesmo! É como se tivesse tido uma trepada daquelas!!!! É muito bom pintar na rua e depois ver sua arte pronta… Eu me falo: cara como isso é bom! A rua é a liberdade total de expressão”.

Por Patricia Rocha.