3 Poemas
Por Elói de Paula Pereira.
Eu Gostio
Para andar só tenho os pés
Só visto roupas de brechó
Eu sou gente da ralé
Sou mais pobre do que jó
Quem nasceu na vida assim
Pobre como eu nasci
Tem que ganhar seu din-din
Saltando daqui prá’li
Quem me viu numa zerada
Que veio lá do Japão
Eu mesmo não tenho nada
Ela é do meu patrão
Viciei-me nesta lida
De aperto e confuzão
Se eu tivesse outra vida
Seria o mesmo pobretão.
Trevas Interiores
Na somba da morte
Eu me faço de forte
Porem minha coragem
É mera passagem
Pois no seio da briga
Que me arrasa e fustiga
Sou um reles bringuedo.
Mas foi o golpe inclemente
da palavra fluente
que em fugaz trajetória
deixou como história
minh’alma ferida
Desta luta sem fim
que dá cabo de mim
não sei como sair.
Estou bem vigiado
Cruelmente algemado
Pelo cão da moral
Esse vil General
Que se alia a Morfeu
E no sonho que é meu
Consegue chegar.
Eu rezo, eu choro.
Eu grito e imploro
Mas ninguem me escuta
É que estou numa gruta
E da prisão do meu “Eu”
Não sei como escapar.
O Mensageiro
Sou um vento que corta campinas
A levar o perfume das flores
Levo o som de mansos regatos
Levo tristes queixume de amores
Levo doces murmúrios de preces
E os ruidos convulsos da morte
O aroma do milho que cresce
Levo até as paragens do norte
Levo juras de ternos casais
Ou tramóias de vís bandoleiros
Vou passando por mil arraiáis
Em visita a mil pardieiros
Da neve eu levo a brancura
E do sangue vibrante o vermelho
Da da donzela eu levo a doçura
E do ancião erudito o conselho
Levo a paz para o lar do cristão
Mas o ódio vai junto também
Brigam os dois em um só coração
Num duelo do mal contra o bem
SOBRE O AUTOR
Elói de Paula Pereira Nasceu aos sete dias do mês de outubro de 1946, em uma fazenda próxima da então vila, e hoje cidade de São José da Barra, em Minas Gerais. Lá viveu até seus seis anos de idade, quando tangidos pela necessidade de buscar escolas para seus filhos, os respectivos progenitores houveram por bem trazê-lo para a cidade de Passos. Veio para estudar mas nesta cidade se revelou um aluno relapso. Pouco dado ao exercício do estudo metódico e disclinado, cheio de fantasias irreais, descambou-se para a vida boêmia e dessa maneira colecionou uma serie interminável de fracassos, até que um dia seguindo sua índole aventureira entrou, através de concurso, para os quadros da Fundação Nacional do Índio(FUNAI).Entre os índios viveu por um breve periodo de tempo, dois anos aproximadamente. Retornando à sua cidade chafurdou-se no alcoolismo, vivendo assim terríveis momentos, permeados por alguns momentos de lucidez durante os quais publicou algumas coisinhas, em peródicos locais, uma ligeira participação na xogun, recebeu um modesto prêmio no concurso Henriqueta Lisboa (2004) da gloriosa Arcádia de Minas Gerais. Impactado por este evento a prefeitura ofereceu a ele o saguão da Casa da Cultura para a exposição de seus poemas como um varal de poesias.
Publicado primeiramente em 3:AM Magazine: Wednesday, November 14th, 2007.
