A Casa Decadente
Por Felipe Lima.
Na boca dele, o sabor amargo da derrota da infância – a nostalgia inquietante e vasta do nada.
Do zunir de uma palavra ordinária o ouvido sugava a declaração de amor que não existia.
Dos passos já dados, uma verdade inteira do dia de hoje.
Ou de ontem, na mesa do café.
Um vazio completo, a solidão amparada, a cama de lençóis revirados e os olhos muito abertos:
conquistas da razão aturdida, amigos em corda bamba e falta.
Ele morria de uma morte rápida e convincente.
Ela morta e não sabia.
A casa decadente – sobre os móveis, a poeira do universo de amar espalhada em fragmentos microscópicos.
As fotos envelhecidas – recordações de andar exausta.
A louça suja;
Os corpos sobre a cama.
E a razão que faltava
[pedia para o poema existir? Para a inocência voltar?]
Um desejo de saúde – para rumar à casa nova – e só: as pernas devem ser resistentes.

SOBRE O AUTOR
Felipe Lima é um homem irregular.
Publicado primeiramente no 3:AM Magazine: Sunday, February 8th, 2009.