Cogito ergo sum?

Por Natalye Alves. 

Os acordes vazios do violão não enchem a minha cabeça. Estou voando.

Costumava pensar no que eu esperava dos outros, já que sabia o que eles esperavam de mim. E fazia tudo o que desejavam, sem questionar, fazia mecanicamente.

Gostaria de sinceridade e de um amor pra me distrair, só. Não tinha nenhum dos dois. Talvez esperasse demais.

Na verdade sempre exagerei, sempre gostei da palavra DEMAIS.

Falava demais, sonhava demais, mentia demais, sentia de menos, vivia do nada.

Meu quarto era o que me separava do resto.

Todos sempre tão inúteis. E assim eu seguia.

Agora me entendo, sou vazio, sem nada pra receber e muito a dar. Tornei-me SER. Mecânico, vazio, automático. Acima de tudo SER PENSANTE, não Ser existente.

Sobre a autora: natty.jpg

Natalye Alves. De 1991, apaixonada pelas palavras. Viciada em livros. Pretende se formar em Economia e continuar escrevendo. Escreve por diversão e pra exorcizar o que há dentro de si. Põe no papel o tem de melhor e pior. Sonhadora, especialista em imaginar.

Publicado primeiramente no 3:AM Magazine: Tuesday, November 24th, 2009.