Culture is Our Weapon

Zan entrevista o romancista, empresário do Bookslam e autor de Culture is our Weapon, Patrick Neate.

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3:AM: Como tudo começou, o que chamou sua atenção em Afro-Reggae?

PN: Os conheci através do meu amigo Luke que dirige uma ONG no Rio chamada Luta pela Paz. Isto foi em 2001 e eu pesquisava livros sobre hip hop mundial e, depois de meses nadando no oceano de hip hop materialismo, eu estava desesperadamente procurando uma história inspiradora de música como estímulo. Conhecer Junior foi como uma brisa de ar fresco.

3:AM: Você é normalmente um escritor de música, mas em que extensão a situação dos direitos humanos no Brasil pesou na sua cabeça antes de publicar este livro?

PN: Para ser honesto, qualquer que sejam meus sentimentos sobre a situação dos direitos humanos no brasil, eu não me acho, necessariamente, uma pessoa qualificada para escrever sobre isto. O que me excitou sobre a história do Afro-Reggae, no entanto, foi por ter dado voz à pessoas que geralmente não são ouvidas. Francamente, quem quer saber o que um Inglês sente sobre os direitos humanos no Brasil? É muito mais interessante e poderoso ouvir isto dos que estão vivendo no meio dos problemas. E uma coisa que repetidamente me impressionou conversando com crianças empacadas no meio desse decrescente círculo de oportunidades que as favelas do Rio podem ser era o quanto espertas e politicamente astutas elas eram — elas sabiam o que estava errado e geralmente tinham uma boa idéia do que fazer sobre isto, mas pouquissimas organizações lhes dão poder de qualquer forma. Afro-Reggae, porém, é uma super organização .

3:AM: A crítica do New Internationalist, qual foi positiva em sua maioria, especialmente em relação a Favela Rising como uma reprodução cinematográfica, sugere que o livro sofre uma certa fraqueza em organização por não listar algumas básicas estatísticas sobre Affro-Reggae. Você adimite isto?

Também, colocando isto ao lado de Favela Rising é um movimento óbvio, o que você acha daquele filme? Mais uma vez, você concorda com algumas das críticas levantadas em relação ao filme dizendo que era uma ofuscante romantizada versão da realidade no Rio, como por exemplo, sugerindo que a favela de Vigário Geral seria tão perto de uma praia quando na verdade é tão longe?

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PN: Eu não li esta crítica. Para ser sincero, tenho certeza que as estatísticas que a crítica diz estar faltando (Quantos centros e quantas pessoas estão trabalhando com eles) está lá, então acho que esta crítica está errada.

Favela Rising? Eu curti muito o filme. Conheci Jeff Zimbalist (um dos produtores) e gostei muito dele. O fato é que o filme tenta mostrar algo diferente do nosso livro… Favela Rising é uma história contada pelo ponto-auge do assunto das favelas do Rio de Janeiro num meio mais impressionista. Verdade, nao é sempre preciso, mas acho que é desculpável. Nosso livro, de outra forma, é mais voltado em apresentar os fatos e acho que é isto que o livro faz.

Ja dito isto, quanto mais você sai de uma reportagem pura, mais decisões editoriais você tem que fazer e mais o material é modelado por você. Pessoalmente, eu não ousaria em tomar tais liberdades com os fatos, embora acredito que as decisões editoriais feitas pelos produtores de Favela Rising são justificadas. No fim do dia, eles representaram o trabalho do Afro-Reggae honestamente num formato que alcançará muito mais pessoas que o nosso pequeno livro alcançará e, para mim, isto é o mais importante.

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3:AM: Você está claramente impressionado com o que viu no Brasil mas você acha que os princípios da organização por trás do Afro-Reggae pode ser transmitida para outros países pobres?

PN: Isto depende o que você quer dizer. Eu acho que pela natural mudança na troca de mídia/informação, isto é agora, mais provavel que nunca que pessoas em situações difíceis que são frequentemente glamorizadas no mundo ocidental podem identificar e beneficiar dos valores de sua própria magnífica cultura. Isto é, eu acho, uma das coisas mais interessantes sobre o Affro-Reggae — Eles tem reconhecido o valor de seu produto (ambos local e internacionalmente) e mantido controle de sua própria exploração. Esta idéia pode certamente ser transferida. Dito isto, outra grande característica do Affro-Reggae, claro, é seu detalhado conhecimento da situação local em que eles trabalham.

3:AM: Finalmente, você lançou ambos, um romance e um trabalho não-ficção no mesmo ano, você sente relaxado como um multi-variado autor? Quais os autores Brasileiros que você admira? Você acha que nós ainda vamos ver Brasil como referência in alguma de sua ficção?

PN: Ha! Não estou tão certo o quanto multi-variado sou. Eu escrevi sim um romance e um livro não-ficção no mesmo ano, mas isto quase me matou. Eu sou realmente um romancista. Não-ficção é muito mais difícil ja que não tem espaço para inventar qualquer coisa quando você se acha empacado. Eu acabei escrevendo não-ficção só quando me deparei com algo que eu me interessei intensamente sobre o assunto, apesar que pareço ter estórias fictícias quase que constantes.
Autores brasileiros que admiro? Eu sinto em não poder responder. Eu não tenho lido literatura brasileira o suficiente para fazer comparações e julgar sem parecer um cuzão. Da mesma forma com referenciação ao Brasil em ficção - sem comentários! Eu sinto que nunca sei exatamente o que está por vir.

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SOBRE A ENTREVISTADORA:
Zan é nascida em Santo André nos arredores de São Paulo em 1978, se mudando para Londres há alguns anos atrás. Editora do 3:AM Brasil.

Publicado primeiramente no 3:AM Magazine: Thursday, July 12th, 2007.