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	<title>3:AM Magazine Brasil</title>
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	<pubDate>Tue, 19 Aug 2008 14:13:14 +0000</pubDate>
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		<title>O Último Beijo</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Aug 2008 14:07:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Flash Fiction]]></category>

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		<description><![CDATA[<img vspace="5" hspace="5" border="solid black 1px" align="right" alt="rodrigo.jpg" src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/rodrigo.thumbnail.jpg" id="image1388" />
As palavras vinham, em vão. Não passavam da garganta. Na boca só havia espaço para a saliva da garota, a qual com muita vontade ele degustava. As palavras chegavam cada vez mais rápidas. Pressionavam. Estavam se congestionando. Devido ao atordoamento, quase não percebeu quando a moça gentilmente tirou a mão dele de seu quadril. O ponto final. Ele ficou inerte. Mesmo querendo, não conseguia se dirigir à jovem. Satisfez-se com a parte dela que restava em si.


Por <strong>Rodrigo Moreira Pinto</strong>.

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Rodrigo Moreira Pinto.</p>
<p>O rosto na poça. Lágrimas com água de chuva. O moço de costas, corpo esparramado: braço grosso, cotovelo fraturado, com marcas vermelhas onde a roupa não cobre. Olhos entreabertos, sem viço, como a boca. Por esta escapa letras, que se dissolvem na poça: Fragmentos de suas últimas palavras.</p>
<p>Pouco antes, os mesmos lábios tocavam outros, com viço. O braço, agora inchado, tocava aqueles quadris que já foram seus. Com os dedos, apertava a carne. Degustava a textura almejando guardá-la. Estavam se beijando longamente, nas escadas a céu aberto, em frente do apartamento da jovem mulher. Ele estava dois degraus abaixo, para compensar a altura. Com a língua, num gesto de desespero, buscava a saliva na boca dela. Juntava. Guardava. Foi o pior beijo que deram. Estava ciente disso. Doía. Mas era melhor do que a memória de um beijo incrível. A garota, por pura bondade, permitia que continuasse tal ato, porém, o desconforto a fazia se afastar gradativamente. Ele insistia. Forçou até não poder mais. Então, inevitavelmente, descolaram os lábios.</p>
<p>O rapaz não sabia onde por os olhos. As paredes pinchadas do prédio, as janelas, as escadarias, seus pés, o corpo e o rosto da moça foram alvos desta viagem ocular. Neste último, ousou mirar mais de uma vez. Olhos fortes, inteligentes, distantes e cheios de piedade. O feriam cada vez que suas vistas os encontravam. Nocauteado, ainda tinha a mão sobre o quadril, esboçando movimentos estabanados.</p>
<p>As palavras vinham, em vão. Não passavam da garganta. Na boca só havia espaço para a saliva da garota, a qual com muita vontade ele degustava. As palavras chegavam cada vez mais rápidas. Pressionavam. Estavam se congestionando. Devido ao atordoamento, quase não percebeu quando a moça gentilmente tirou a mão dele de seu quadril. O ponto final. Ele ficou inerte. Mesmo querendo, não conseguia se dirigir à jovem. Satisfez-se com a parte dela que restava em si.</p>
<p>Pôs-se a descer. Três andares até o solo. Estava tudo mais ou menos tranqüilo enquanto sentia um resquício do beijo dela. As palavras continuavam vindo, com força e peso cada vez maiores. Quando seu corpo deixou de sentir o da moça, as palavras emperram de vez e bloquearam a respiração. Dez degraus até o solo. O jovem foi ficando azul, sem força, e com o peso que o sufocava, perdeu o equilíbrio e caiu.</p>
<p>O rosto na poça. Lagrimas com água da chuva. O moço de costas, corpo esparramado: braço grosso, cotovelo fraturado, com marcas vermelhas onde a roupa não cobre. Pela boca entreaberta, as letras que compunham o nome da moça escapam. Todas as outras vão garganta adentro, agora em estado dormente</p>
<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/rodrigo.jpg" title="rodrigo.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/rodrigo.jpg" alt="rodrigo.jpg" /></a></p>
<p><strong>SOBRE O AUTOR</strong>:<br />
<a href="http://beijosdenetuno.blogspot.com/">Rodrigo Moreira Pinto</a> cursa Letras na Universidade de São Paulo. Começou a escrever prosa em meados de junho de 2007. Atualmente escreve contos, crônicas, poesias e roteiros de histórias em quadrinhos.</p>
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		<title>Pra Inglês ver!</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Aug 2008 12:41:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Buzzwords]]></category>

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		<description><![CDATA[Em Outubro, o livro Vida de Gato, “a história de Clarah Averbuck que redefine juventude no Brasil…“, estará ao alcance daqueles que a língua nativa é o inglês. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/futureficldn.jpg" title="futureficldn.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/futureficldn.jpg" alt="futureficldn.jpg" /></a></p>
<p>Em Outubro, o livro <strong>Vida de Gato</strong>, &#8220;<em>a história de <a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/vida-de-gato/">Clarah Averbuck</a> que redefine juventude no Brasil&#8230;</em>&#8220;, estará ao alcance daqueles que a língua nativa é o inglês. Traduzido por <strong>Francisco Araújo da Costa</strong>, <em>Cat Life</em> é publicado pela novíssima <a href="http://futurefiction.co.uk/">Future Fiction London</a>, que é parte da editora <a href="http://www.creationbooks.com/index.html">Creation Books</a>. Em paralelo, outro lançamento da editora é o livro entitulado <strong>Ximena</strong>, último trabalho da <a href="http://www.neogeisha.org/">neo-gueixa</a> <a href="http://www.3ammagazine.com/litarchives/2005/oct/interview_hillary_raphael.shtml">Hillary Raphael</a>.</p>
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		<title>Pensamentos (So/No)turnos</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Aug 2008 10:16:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[<img vspace="5" hspace="5" border="solid black 1px" align="right" alt="avatar_jeff1.jpg" src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/avatar_jeff1.thumbnail.jpg" id="image1388" />Ao seu lado dorme o vazio.

Retira perfume e calor

Ocupa o lugar dela.

Anjos não vê mais

Quando abre os olhos

Só sonha

Por <strong>Jefferson Luiz Maleski</strong>.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Jefferson Luiz Maleski.</p>
<p>Ao seu lado dorme o vazio.<br />
Retira perfume e calor<br />
Ocupa o lugar dela.<br />
Anjos não vê mais<br />
Quando abre os olhos<br />
Só sonha<br />
A respiração suave<br />
O coração tranqüilo<br />
Fiozinhos dourados perdidos<br />
Marcando territórios conquistados.<br />
Machuca não ver mais<br />
O que os olhos acostumaram ver<br />
Que calam-se úmidos<br />
Sem que ninguém perceba<br />
Nem entenda porque<br />
Acariciando o vazio, sofre.</p>
<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/avatar_jeff2.jpg" title="avatar_jeff2.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/avatar_jeff2.jpg" alt="avatar_jeff2.jpg" /></a></p>
<p><strong>SOBRE O AUTOR</strong>:<br />
<strong>Jefferson Luiz Maleski</strong> é leitor compulsivo. Talvez por cursar Direito, que exige uma vasta leitura de seus acadêmicos. Talvez por considerar a leitura uma forma de diversão melhor que a TV, a Internet e as conversas de boteco. Com um pouco mais de 30 anos, mora atualmente em Anápolis, Goiás, e escreve resenhas e minicontos em vários sites da internet e/ou no <a href="http://www.jefferson.blog.br/">Libru Lumen</a>, o seu blog pessoal.</p>
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		<item>
		<title>Wry: Mário Bross</title>
		<link>http://www.3ammagazine.com/brasil/wry-mario-bross/</link>
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		<pubDate>Thu, 31 Jan 2008 19:28:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.3ammagazine.com/brasil/wry-mario-bross/</guid>
		<description><![CDATA[<img vspace="5" hspace="5" border="solid black 1px" align="right" alt="mc.jpg" src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/mc.jpg" alt="mc.jpg" id="image1388" />Sou meio "naive" a qualquer tipo de sofrimento ou dificuldade. Posso parecer louco, mas sou assim. É como se eu não entendesse sofrer do mesmo jeito que a maioria entende. O rock alternativo no Brasil não é visto como algo antigo e experiente, é novidade ainda. Eu vejo uma mudança muito grande acontecendo desde 2001 e o ápice disso tudo foi o CSS ter estourado no mundo. Eu acho fantástico. As vezes, as pessoas reclamam demais.<p>

<b>Zan</b> entrevista <b>Mário Bross</b>, vocalista, letrista e compositor do <b>Wry</b>.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os caras largaram tudo em São Paulo e vieram pra Londres, tudo menos o carisma e a vontade de fazer o que gostam. Zan foi conferir o que mudou no som, na vida, na expectativa da banda Sorocabana numa conversa mais que agradável com <a href="http://mariowry.blogspot.com">Mário Bross</a>, vocalista, letrista e compositor do <a href="http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&amp;friendid=19366981">Wry</a>.</p>
<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/wry31.jpg" title="wry31.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/wry31.jpg" alt="wry31.jpg" /></a></p>
<p>(<em>Fotos: Cortesia de Stuart Nicholls</em>)</p>
<p><strong>3:AM:</strong> Vocês tem bandas como U2, The Who, Velvet Underground, Janes addiction, Sonic Youth e Blur como referência musical, e sabemos que você adora Jesus and Mary Chain, e Wry até está participando de um tributo com uma música-cover. Mas falando de casa, você teria algum herói nacional?</p>
<p><strong>MB:</strong> The Who e Jane&#8217;s Addiction acho que não fazem mais parte, mas U2 e My Bloody Valentine ainda podemos citar, eu acredito. No Brasil não existiu até hoje alguém melhor que Legião Urbana, em termos de música rock. É a maior banda de rock do Brasil sem sombras de dúvida. Eles são meus heróis, além deles, eu gosto muito de Secos e Molhados, Plebe Rude, Caetano Veloso, Guilherme Arantes e Os Mutantes.</p>
<p><strong>3:AM:</strong> O que não vamos encontrar na sua discoteca de jeito nenhum?</p>
<p><strong>MB:</strong> O que não entra na minha discoteca? Bandas tipo Raimundos, bandas que copiam Beatles, bandas que copiam Rolling Stones, Bonde do Rolê, bandas que copiam Radiohead e bandas que só querem saber em tocar alto e pesado.</p>
<p><strong>3:AM:</strong> Você deixou claro o que pensa do Bonde do Rolê <a href="http://www.youtube.com/watch?v=8D9C7CWu1rA&amp;eurl=http://blog.danielflorencio.com/2007/07/">neste vídeo</a> de 3 segundos que deu o que falar, <a href="http://blog.danielflorencio.com/2007/07/27/bonde-do-role/">neste blog</a>, foi publicado a conversa pós-vídeo entre você e o Gorky do bonde. agora que sabemos o que você acha da música deles, o que você pensa das &#8220;pessoas&#8221; por de trás da banda, ou seja, bonde, depois disso tudo?</p>
<p><strong>MB:</strong> Não os conheço pessoalmente, lógico que já nos vimos. Lembro do nosso último show em Curitiba, em dezembro de 2005, onde Gorky e CSS eram DJs, numa espécie de dj set/pocket show com a vocalista e a baixista. Eles, BdR, devem ser legais pessoalmente, ainda mais por levar em consideração os 3 segundos do vídeo &#8220;eu odeio bonde do role&#8221; e se preocupar um pouco. Em termos de ser conhecido, não somos nada em comparação com eles.</p>
<p>Acho que eles tem que fazer tudo muito rápido, em ordem para ganhar dinheiro o mais que puderem, antes que essa faceta em que estão metidos acabe. Só isso. Acho que devem estar fazendo bem o papel deles e respeito o sucesso internacional.</p>
<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/wry21.jpg" title="wry21.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/wry21.jpg" alt="wry21.jpg" /></a></p>
<p><strong>3:AM:</strong> Quais são as maiores dificuldades uma banda independente enfrenta no país que é mais conhecido mundialmente pelo carnaval e futebol?</p>
<p><strong>MB:</strong> Eu não sou a melhor pessoa para responder. Sou meio &#8220;naive&#8221; a qualquer tipo de sofrimento ou dificuldade. Posso parecer louco, mas sou assim. É como se eu não entendesse sofrer do mesmo jeito que a maioria entende. Mas baseando no que as bandas em geral respondem, eu creio que seja o fato de não ter tantos lugares disponíveis para tocar, ou quando tem, o local é desestruturado para receber bandas. O rock alternativo no Brasil não é visto como algo antigo e experiente, é novidade ainda. Eu vejo uma mudança muito grande acontecendo desde 2001 e o ápice disso tudo foi o CSS ter estourado no mundo. Eu acho fantástico. As vezes, as pessoas reclamam demais.</p>
<p><strong>3:AM:</strong> Na entrevista para <a href="http://tramavirtual.uol.com.br/noticia.jsp?noticia=6454">Leandro Carbonato</a> em 2005,quando ele pergunta porque vocês se mudaram pra Londres, você diz:</p>
<p><em>&#8220;Pra ir mais longe, mais alto e também pra obedecer nosso sonho. …Somos mutantes, apesar de quase ninguém perceber, pois temos essa nossa sonoridade que grudou na gente como cola e nunca mais vai sair. Talvez esse seja o nosso charme. &#8230;em termos financeiros era melhor tentarmos um salto maior do que onde estávamos. E também porque adoramos Londres, uma cidade que realmente respira rock e todo aquele estilo de vida que sempre quisemos.&#8221;</em></p>
<p>Dois anos depois desta entrevista, o que você acrescentaria nesta resposta?</p>
<p><strong>MB:</strong> Que eu estava completamente certo nessa escolha. Independente do que realmente acontece, aqui ajuda muito o lado financeiro, em poder escolher o que poderemos fazer no futuro, ou no exato momento. Dou Graças a Deus de ter feito isso, mesmo sabendo que muita gente sempre achou que deveríamos ter ficado no Brasil; muitas outras, que deveríamos cantar em Português, sabe? Mas não digo não a ninguém, todos estão certos, inclusive a gente. Todas essas coisas ainda podem acontecer, o tempo não para e as idéias fluem rapidamente. Mudança gera mais criatividade. Eu quero voltar ao Brasil. Se me perguntassem quando, eu diria que no final de 2008.</p>
<p><strong>3:AM:</strong> Por que o final de 2008?</p>
<p><strong>MB:</strong> Boa parte por motivos particulares, essa data enquadra bem aos planos pessoais que estou tendo agora. Mas que automaticamente enlaca o Wry também, sem dúvidas. Temos planos iguais para um futuro extra-banda, pelo menos 3/4 do Wry, tem uma meta igual.</p>
<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/wry1.jpg" title="wry1.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/wry1.jpg" alt="wry1.jpg" /></a></p>
<p><strong>3:AM:</strong> O que o Reino acrescentou na bagagem que o Wry esta levando para o Brasil, e o que você considera de mais precioso dentro dela?</p>
<p><strong>MB:</strong> Muitas idéias fantásticas de primeiro mundo que enquadra nas várias coisas que podemos fazer no Brasil. Dentro e fora do Wry. Mas o mais legal mesmo é toda esse aprendizado musical, principalmente no Rock, por ser aqui um país muito rico em musica rock, suas estruturas, sua poesia, os festivais, e de como é visto. É muito cedo ainda pra falar, pois ainda fico um bom tempo aqui. Muito pode mudar, creio eu.</p>
<p><strong>3:AM:</strong> Falando em festivais e em coisas que pode-se fazer dentro e fora do Wry, vocês organizaram o <a href="http://www.dynamite.com.br/revista/lernews.cfm?id=95">Circadélica</a> em 2001, que levou 30 bandas de todo Brasil, quase 5 mil pessoas compareceram e arrecadou 4 toneladas de alimentos que foram distribuídos às famílias carentes da região de Sorocaba. Está entre seus futuros planos organizar outros festivais da mesma natureza? E esticando a pergunta um pouquinho mais, ja que estamos também falando do problema da pobreza, que está presente em todo pais, você acha que o Brasil tem jeito?</p>
<p><strong>MB:</strong> Sem dúvidas queremos fazer outro Circadelica, o festival foi muito perfeito pra gente deixar assim, entregue ao passado, esquecido. Na verdade, eu não vejo a hora. Sobre o Brasil ter jeito? Sim, é lógico. O Brasil vai apavorar ainda, será uma superpotência, daqui uns 15-20 anos. Tem tudo para ser se continuar assim. Claro que estamos cheios de problemas, mas os problemas hoje são muito diferentes. Como num efeito borboleta, parece muito desorganizado, mas na verdade, esse é o caminho certo para todos podermos rir no final. Estive no Brasil há 1 ano e maio atrás e vi um país com as pessoas reclamando menos, ou nem, da falta de dinheiro. A economia está sem dúvida melhor. E o que vai dar ao Brasil a reviravolta será o futuro, com os milhoes de turistas que estaremos recebendo. O Brasil vai ter jeito, mas quando isso acontecer não acho que vai durar tanto, pois daí teremos problemas físicos na Terra que vai fazer tudo mudar. Mas acredito que teremos nosso 15 minutos de fama entre as super-potências do Mundo ainda.</p>
<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/wry4.jpg" title="wry4.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/wry4.jpg" alt="wry4.jpg" /></a></p>
<p><strong>3:AM:</strong> Falando do <em><a href="http://punknet.com.br/resenhas/mostra_resenhas.php?id_resenhas=570">Flames In The Head</a></em>, como foi fazer este disco com participações tão especiais como <em>Tim Wheeler</em> e <em>Gordon Raphael</em>?</p>
<p><strong>MB:</strong> Foi ótimo, principalmente com Tim Wheeler do Ash, foi fenomenal. Inesquecível, na verdade. Foi saber um pouco como é o mundo do Mainstream internacional sabe, de qualidade e talento. Foram 4 dias completos de profissinalismo e aprendizado. Ficamos bem amigos depois disso, ele é uma pessoal genial. Eu iria ainda mais fundo, Tim Wheeler chega a ser angelical. Trabalhar com Gordon Raphael foi como mergulhar num mundo mais tosco e violento, um mundo mais Nova York ou até Grunge. Ele gosta que tudo seja feito de primeira, ou de forma rústica, sem muitos paralelos ou recursos. Foi legal saber das histórias com os Strokes, foi legal tropeçar num disco de outra época do <em>Is this it</em>?. Foram duas produções complemente diferentes, foi ótimo pra mim. Tudo o que aprendi nessa época acrescentei nas gravações do mais recente do Wry, Whales and Sharks, que foi produzido por mim mais o Lu (wry) e Jon Hassuike, um amigo de longa data que trabalha com música aqui em Londres.</p>
<p><strong>3:AM:</strong> <a href="http://www.clubac30.com/release.php?RID=EDEE50977228B26246313E968F659BEB">Whales and Sharks</a> recebeu boas críticas aqui e no Brasil, na <a href="http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=17038">Trama Virtual</a>, Studio Eleven diz: &#8220;<em>Em alguns momentos a sonoridade de Whales and Sharks lembra o &#8220;The Verve E.P&#8221; de 1992. Em outros momentos, lembra o MBV em sua fase mais áurea. Em todos os outros momentos, lembra Wry. O jeito Wry de compor, de fazer rock. Aquela levada inigualável e eletrizante que só eles sabem fazer.&#8221; </em>Está aí uma mistura que parece ter funcionado muito bem, o que mais te agrada particularmente neste Cd?</p>
<p><strong>MB:</strong> Eu amo esse EP de paixão, acho que é a melhor coisa que já gravamos na nossa carreira. Particularmente, adoro como ele foi gravado; em nossa garagem entre discussões, cansaço, muita risada, trabalho árduo, amizade e comoção. Foi um período que nunca vou esquecer, ficamos mais próximos ainda como amigos, e como adultos que se entendem. Gosto do flerte com a morte, no olhar romântico que tenho pelo ato de ir embora ou chegar primeiro, onde ainda não sabemos direito. Gosto do jeito que brincamos com os efeitos na guitarra e do poder de poder mudar as músicas para o jeito que a gente quisesse. Eu acho que Whales and Sharks entrega a gente mais como um livro aberto para quem quiser ler, de uma banda que quer a qualquer fazer acontecer. É natural e humano, e quase perfeito.</p>
<p><strong>3:AM:</strong> Quais as novidades do Wry vindo por aí?</p>
<p><strong>MB:</strong> Logo estaremos lançando <em>Whales and Sharks</em> no Brasil, e também o <em>National Indie Hits</em>, onde passeamos por covers de bandas brasileiras que<br />
nos influenciaram no passado como Killing Chaisaw, Low Dream, Pin Ups, Snooze, Walverdes e Astromato. Para 2008, um álbum novo por aqui no Reino Unido (depois no Brasil) que já estamos escrevendo, temos em torno de 20 músicas novas, 3 delas em português. Turnês pela Europa e uma pelo Brasil. Mais vídeos no youtube, mais sementes plantadas e por aí vamos. Vivendo.</p>
<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/zan.jpg" title="zan.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/zan.jpg" alt="zan.jpg" /></a></p>
<p><strong>SOBRE A ENTREVISTADORA</strong><br />
<strong>Zan</strong> é nascida em Santo André, nos arredores de São Paulo em 1978, se mudando para Londres há alguns anos atrás. Editora do <strong>3:AM Brasil</strong>.</p>
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		<item>
		<title>O Caçador de Pipas</title>
		<link>http://www.3ammagazine.com/brasil/o-cacador-de-pipas/</link>
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		<pubDate>Sat, 24 Nov 2007 11:31:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cr&iacute;tica]]></category>

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		<description><![CDATA[<img vspace="5" hspace="5" border="solid black 1px" align="right" alt="1942t.jpg" src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/1942t.jpg" id="image1388" />O que diferencia um livro bom de um ruim? Alguns diriam que é a estória em si. Mas, e se existissem dois livros sobre a mesma estória, o que tornaria um deles melhor que o outro? Provavelmente a capacidade de um dos autores em melhor criar a arte literária, expressando de um modo único e perfeito aquilo que deseja transmitir. Sabe-se que duas pessoas podem presenciar o mesmo fato e o narrarem em versões totalmente distintas.<p>
Por <strong>Jefferson Luiz Maleski</strong>.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Jefferson Luiz Maleski.</p>
<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/1942.jpg" title="1942.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/1942.jpg" alt="1942.jpg" /></a></p>
<p><em>O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini</em></p>
<p><em>AVISO: Esta resenha contém revelações sobre o enredo (spoilers).</em></p>
<p>O que diferencia um livro bom de um ruim? Alguns diriam que é a estória em si. Mas, e se existissem dois livros sobre a mesma estória, o que tornaria um deles melhor que o outro? Provavelmente a capacidade de um dos autores em melhor criar a arte literária, expressando de um modo único e perfeito aquilo que deseja transmitir. Sabe-se que duas pessoas podem presenciar o mesmo fato e o narrarem em versões totalmente distintas. Apesar de ambas falarem a verdade, contarem a mesma história, o resultado final será algo diferente, pessoal, único. E a versão mais popular será aquela que melhor saciar um anseio que os ouvintes ou leitores procuram satisfazer. Essa é versão da história que cairá no gosto das massas, até sendo vulgar, imprecisa ou parcial. Ela agrada e pronto, mesmo que não seja boa literatura, apenas entretenimento.</p>
<p>Um dos defeitos que tenho é que não consigo conter a curiosidade em ler um livro que muitos compram e indicam já há algum tempo, apesar de conhecer a diferença entre os best-sellers e boa literatura: a maioria das vezes eles não andam juntos. Aprendi essa diferença com vários grandes escritores, que entre outras coisas, disseram:</p>
<p>&#8220;<em>Em minha época não tinha best-sellers e não podíamos prostituir-nos. Não tinha quem comprasse nossa prostituição</em>.&#8221;<br />
(Jorge Luis Borges)</p>
<p>&#8220;<em>A filosofia mercantilista que desde muito tempo vem regendo a cultura converteu às grandes casas editoriais em máquinas de vendas de best-sellers previsíveis, pré-fabricados sobre um rigoroso estudo de mercado. Para isso contam com estratégias que vão desde os mais sutis recursos publicitários ao aconselhamento de críticos especializados, encarregados de convencer aos leitores de que o livro que eles desejam é aquele que está no setor de “Novidades” e que em rigor deveria se chamar “Fugacidades”, porque não costuma ser outro o destino dessa classe de literatura.</em>&#8221;</p>
<p>&#8220;<em>Os best-sellers estão para a literatura como a prostituição está para o amor</em>.&#8221;<br />
(Ernesto Sabato)</p>
<p>&#8220;<em>O povo é tão simplório que prefere ler o novo a ler o que é bom</em>.&#8221;</p>
<p>&#8220;<em>O reconhecimento pela posteridade costuma ser pago com a perda de aplauso por parte dos contemporâneos, e vice-versa</em>.&#8221;<br />
(Arthur Schopenhauer)</p>
<p>Que <em>O caçador de pipas</em> é um best-seller não há dúvidas, pois já ultrapassou a barreira dos cinco milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, sendo um milhão apenas no Brasil. Também já virou filme – outro aspecto comum entre os best-sellers – que estreará no próximo ano. Mas mesmo correndo o risco de ter uma jihad literateira contra mim, não creio que o livro de Hosseini deva ser classificado como boa literatura. No máximo um dramalhão popular, bem ao estilo do Titanic (1997), considerado por muitos como o filme do século. O livro é um entretenimento para as massas, mas o pior é que passa uma mensagem política subliminar que nem todos percebem claramente.</p>
<p>Nos muitos comentários entusiastas dos leitores sobre o livro, há expressões de que é um relato fidedigno dos costumes, lugares e pessoas do Afeganistão, que o livro é uma lição de vida, que ensina ao leitor a ver os relacionamentos com outros olhos e que é o melhor livro que já leram em suas vidas. Seguem abaixo algumas considerações sobre cada uma dessas afirmações.</p>
<p>Em primeiro lugar, trata-se de um livro norte-americano escrito para norte-americanos, após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, quando o Afeganistão passou a fazer parte da mídia – e da vida – dos estadunidenses. Seria óbvio que aparecessem escritores justificando a invasão a um país estrangeiro, mostrando a diferenças de governos, culturas e tecnologias entre os países invasor e invadido. <em>O caçador de pipas</em> faz esse papel. Como mostra a vida de um garoto que passa a infância no Afeganistão e que depois refugia-se nos Estados Unidos as comparações seriam até certo ponto inevitáveis. Mas o autor vai além da mera comparação e afirma categoricamente que sua nova pátria é melhor que a anterior: através dos olhos de Amir, o protagonista do livro, ou de Baba (o pai de Amir), como neste trecho:</p>
<p>&#8220;- <em>Só existem três povos nesse mundo que são homens de verdade, Amir – dizia ele. E os contava nos dedos: - os americanos, esses heróis fanfarrões; os britânicos e os israelenses. Todo o resto – e, ao dizer isso, costumava fazer um gesto com a mão, acompanhado de um “pfff” - não passa de velhotas mexeriqueiras</em>.&#8221;</p>
<p>Ou através de personagens que apesar de não morarem nos EUA admitem a sua superioridade, como Rahim Khan, amigo de Amir residente em Cabul:</p>
<p>&#8220;- <em>Pelo que vejo, os Estados Unidos infundiram em você o otimismo que fez deles um grande país. Isso é ótimo. Nós, os afegãos, somos um povo melancólico, não somos? Quase sempre ficamos chafurdando em ghamkhori e autopiedade. Damo-nos por vencidos diante das perdas, do sofrimento; aceitamos tudo isso como um fato da vida ou chegamos até a considerá-lo algo necessário</em>.&#8221;</p>
<p>Há também uma série de referências a marcas e empresas que conquistaram o mundo, como Coca-Cola, Ford, Electrolux, Singer, Reader’s Digest, além dos filmes e atores hollywoodianos, como que mostrando a supremacia norte-americana também em outros aspectos. Os filmes indianos e paquistaneses são mencionados, mas preteridos pelos garotos Amir e Hassan quando esses julgam como melhores os faroestes norte-americanos.</p>
<p>O engodo do livro é tentar se vender como uma mensagem afegã ao mundo. Usa incansavelmente palavras persas inseridas no texto, explicando-as logo em seguida. Para um afegão que fosse ler o livro nesse estilo soaria excessivamente repetitivo. Para um não-afegão poderia transmitir a idéia que o escritor é um nativo do Afeganistão e portanto uma espécie de porta-voz do seu povo.</p>
<p>&#8220;- <em>Que estranho!</em> <em>– exclamei.</em><br />
- <em>O quê?</em><br />
- <em>Estou me sentindo um turista na minha própria terra – respondi, olhando para um pastor que ia andando pela beira da estrada, conduzindo umas seis cabras magérrimas.<br />
Farid deu uma risadinha. Jogou fora o cigarro</em>.<br />
- <em>Ainda considera esse lugar a sua terra?</em> <em>– perguntou ele.</em><br />
- <em>Acho que uma parte de mim vai sempre pensar assim – respondi, mais na defensiva do que pretendia.</em><br />
- <em>Depois de vinte anos vivendo na América&#8230;</em></p>
<p>- <em>Por que é que está dizendo essas coisas?</em> <em>– indaguei</em>.<br />
- <em>Porque você queria saber</em> <em>– respondeu ele rispidamente. Apontou para um velho maltrapilho que se arrastava por uma estradinha de terra, carregando um imenso saco de aniagem repleto de forragem preso às costas. – Esse é o verdadeiro Afeganistão, agha sahib. O Afeganistão que eu conheço. Você? Você sempre foi um turista por aqui. Só que não sabia disso</em>.&#8221;</p>
<p>A opinião de Amir está longe de ser unanimidade pois ele pertence ao grupo étnico Pashtun – tribo dominante com 42% da população – e mostra uma visão pashtun do Afeganistão. Além disso, o protagonista – assim como o autor – fugiram do Afeganistão quando este foi invadido em 1980 pelos soviéticos. Não ficaram lá para enfrentar os problemas. A sua idéia sobre o Afeganistão, a vida e dificuldades daqueles que lá permaneceram, sendo muitas vezes massacrados, é a de um observador externo e distante. Não revela de maneira alguma a realidade, mas somente um ponto de vista pessoal. Quem se mantém informado através de revistas e jornais bem conceituados que pesquisam sobre o assunto consegue ver com olhos críticos em que pontos o livro é faltoso. Amir admite tacitamente que não conhece o seu próprio país de origem quando vê a fotografia de seu amigo de infância com o filho – Hassam e Sohrab – que diferentes dele continuavam no Afeganistão:</p>
<p>&#8220;<em>Olhando para essa foto, era possível concluir que aquele homem achava que o mundo tinha sido generoso para com ele.&#8221;</em></p>
<p>&#8220;<em>Hassam e Sohrab estão parados, um ao lado do outro, apertando os olhos por causa do sol, e sorrindo como se o mundo fosse um lugar bom e justo.&#8221;</em></p>
<p>Amir não consegue entender alguém sendo feliz independente do lugar e das condições em que viva. Todos os países tem os seus problemas e dificuldades, mas passar a idéia errônea de que apenas um é o melhor, a única fonte de felicidade para todos é pura presunção. Pelo caráter sectário desta obra, provavelmente Khaled Hosseini nunca ganhará o prêmio Nobel de Literatura, se bem que hoje é possível que prêmios, antes respeitáveis, sejam comprados e manipulados.</p>
<p>O Afeganistão não deixou de existir e mesmo debaixo de duas tiranias diferentes – russa e Talibã – o seu povo conseguiu sobreviver. Interessante notar que o livro não fala que o governo dos Estados Unidos apoiou o Talibã na tomada do poder, nem das invasões e bombardeios americanos que ocorreram anos depois para retirá-los, em que vários afegãos inocentes morreram. Não mostra a opinião desfavorável que a maioria dos povos árabes têm dos EUA e do sistema capitalista. Este é um outro aspecto dos livros norte-americanos: relatam somente os “benefícios” levados pelos Estados Unidos ao mundo. Não me surpreenderia se amanhã surgisse um romance escrito por um iraquiano mostrando o quanto os EUA são melhores que o Iraque.</p>
<p>Em segundo lugar, o livro faz sucesso por demonstrar a fórmula que sempre funcionou em romances: a exploração dos conflitos. Desde os existentes entre pai e filho, crianças, classes sociais, etnias, países, culturas, até os entre o bom e o mau tanto no íntimo de um personagem (coragem versus covardia, por exemplo) quanto entre dois protagonistas que assumem papéis antagônicos na trama. Não existe estória sem conflitos. A fórmula milenar de apresentar os problemas de um herói que possui falhas de caráter, depois a luta deste em solucioná-los (os problemas e as falhas de caráter) e finalmente o retorno à normalidade pré-existente é seguida à risca em <em>O caçador de pipas</em> Por isso os leitores se identificam com o personagem, pois foi utilizado um apelo psicologicamente universal, explorado por quase todos os romances escritos. Muitos que julgam aprender uma lição de vida do romance como se ele fosse uma espécie de auto-ajuda não percebem que os conflitos e as lições na verdade estão em seu íntimo, o livro somente os trouxe à tona.</p>
<p>O livro começa bem, tem alguns escorregões apelativos durante o decorrer da trama, mas termina satisfatoriamente o enredo, apesar de cair na qualidade escrita. O autor passa a usar expressões como &#8220;fanfarras da epifania&#8221; e ensaios não tão felizes como os abaixo que fazem o final parecer ter sido escrito por alguém diferente do início do livro:</p>
<p>&#8220;<em>Perspectivas são um luxo quando se tem um enxame de demônios zumbindo constantemente na cabeça</em>.&#8221;</p>
<p>&#8220;<em>Quieto significa em paz. Tranqüilidade. Estar quieto é baixar o botão do VOLUME da vida. O silêncio é pressionar o botão pra desligar. Desligar tudo</em>.&#8221;</p>
<p>A parte em que Amir viaja até Peshawar para encontrar-se com Rahim Khan e este revela a tragédia ocorrida com Hassan e a situação de Sohab em Cabul já conduz automaticamente o raciocínio do leitor ao final previsível da situação entre Amir e Sohab (ainda mais que Amir não conseguia ter filhos e se considerava em dívidas com Hassan), mas o protagonista (e o escritor) insiste tolamente em não compreender durante as páginas seguintes a conclusão óbvia.</p>
<p>Aqueles que dizem terem lido o melhor livro de suas vidas revelam o quão pouco lêem ou a falta de qualidade em suas escolhas. Apelar para o sentimentalismo, fazer chorar ou sorrir não é sinônimo de qualidade literária. <em>O caçador de pipas</em> é um bom entretenimento de final de semana, com certeza recomendado antes de muitas diversões atuais menos edificantes, mas comparado aos clássicos da literatura mundial ele perde feio. Mesmo assim, se for para estimular a leitura em um país onde ela não tem primazia já cumpre um papel importante, desde que analisado criticamente.</p>
<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/avatar_jeff.jpg" title="avatar_jeff.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/avatar_jeff.jpg" alt="avatar_jeff.jpg" /></a></p>
<p><strong>SOBRE O AUTOR</strong><br />
<strong>Jefferson Luiz Maleski</strong> é leitor compulsivo. Talvez por cursar Direito, que exige uma vasta leitura de seus acadêmicos. Talvez por considerar a leitura uma forma de diversão melhor que a TV, a Internet e as conversas de boteco. Com um pouco mais de 30 anos, mora atualmente em Anápolis, Goiás, e escreve resenhas e minicontos em vários sites da internet e/ou no <a href="http://www.jefferson.blog.br/">Libru Lumen</a>, o seu blog pessoal.</p>
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		<title>O Coração às Vezes Pára de Bater</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Nov 2007 12:41:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Buzzwords]]></category>

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		<description><![CDATA[Está chegando às livrarias um novo livro de <a href="http://www.adrianalisboa.com.br/">Adriana Lisboa</a>, <strong><em>O coração às vezes pára de bater</em></strong>, novela juvenil que a Publifolha lança dentro da coleção Cidades Visíveis.

A coleção já conta com os títulos <em>A banda do companheiro mágico</em>, de <a href="http://www.revista.agulha.nom.br/ariserio.html">Antonio Risério</a> (ambientado em Salvador), <em>Diário da guerra de São Paulo</em>, de <a href="http://www.releituras.com/fbonassi_menu.asp">Fernando Bonassi</a>, e <em>Mais ou menos normal</em>, de <a href="http://www.cintiamoscovich.com/">Cíntia Moscovich</a> (que se passa em Porto Alegre). ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Está chegando às livrarias um novo livro de <a href="http://www.adrianalisboa.com.br/">Adriana Lisboa</a>, <strong><em>O coração às vezes pára de bater</em></strong>, novela juvenil que a Publifolha lança dentro da coleção Cidades Visíveis.</p>
<p>A coleção já conta com os títulos <em>A banda do companheiro mágico</em>, de <a href="http://www.revista.agulha.nom.br/ariserio.html">Antonio Risério</a> (ambientado em Salvador), <em>Diário da guerra de São Paulo</em>, de <a href="http://www.releituras.com/fbonassi_menu.asp">Fernando Bonassi</a>, e <em>Mais ou menos normal</em>, de <a href="http://www.cintiamoscovich.com/">Cíntia Moscovich</a> (que se passa em Porto Alegre). <a href="http://publifolha.folha.com.br/catalogo/autores/384/">Arthur Nestrovski</a>, o editor, está convidando alguns autores brasileiros a criarem novelas juvenis ambientadas em cidades do país. A autora <em>Adriana Lisboa</em> ficou com o Rio de Janeiro.</p>
<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/image001.jpg" title="image001.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/image001.jpg" alt="image001.jpg" /></a></p>
<p>O projeto gráfico é bárbaro, assinado por <em>Daniel Trench</em>.</p>
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		<title>The Guardian Descobre São Paulo &#038; Sampaist</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Nov 2007 16:26:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Buzzwords]]></category>

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		<description><![CDATA[<em>Benji Lanyado</em> vai para São Paulo e escreve para a versão on-line do jornal Inglês <em><a href="http://www.guardian.co.uk/">The Guardian</a></em> suas conclusões sobre a cidade que ele mesmo se refere como a capital cultural do Brasil. O pessoal do site <a href="http://sampaist.com/">Sampaist</a> não perdeu tempo em dar as melhores dicas sobre a cidade, o inicio da jornada, claro, <em>Vila Madalena</em>.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/saopaulo4.jpg" title="saopaulo4.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/saopaulo4.jpg" alt="saopaulo4.jpg" /></a></p>
<p><em>Benji Lanyado</em> vai para São Paulo e escreve para a versão on-line do jornal Inglês <em><a href="http://www.guardian.co.uk/">The Guardian</a></em> suas conclusões sobre a cidade que ele mesmo se refere como a capital cultural do Brasil. O pessoal do site <a href="http://sampaist.com/">Sampaist</a> não perdeu tempo em dar as melhores dicas sobre a cidade, o inicio da jornada, claro, <em>Vila Madalena</em>. O resultado? - Leia o artigo original por <a href="http://www.guardian.co.uk/travel/2007/nov/20/saopaolo.brazil?page=all">aqui</a>.</p>
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		<title>Amor Pensado</title>
		<link>http://www.3ammagazine.com/brasil/amor-pensado/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Nov 2007 20:51:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[<img vspace="5" hspace="5" border="solid black 1px" align="right" alt="avatar_jeff.jpg" src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/avatar_jeff.thumbnail.jpg" id="image1388" />Quisera eu acreditar no amor como algo inventado na idade média, moderna ou antiga.
Que algum filósofo ou escritor pensou e puf! criou o amor.
Fácil assim.
Sem paranóia.
Talvez se acreditasse nisso também acreditaria que posso dizer o que eu quiser que o amor é e puf! acreditariam em mim.

Por <strong>Jefferson Luiz Maleski</strong>.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Jefferson Luiz Maleski.</p>
<p>Penso, logo amo.<br />
Ou amo, logo penso.<br />
Ou não logo, não penso, só amo.<br />
Tanto não penso que pensei viver é não pensar, é amar.<br />
Mas amar não começa no pensar?, pensei.<br />
Oh tola incerteza.</p>
<p>O meu coração fica dentro da cabeça.<br />
Só pode.<br />
Assim sei porque cada vez que penso nela ele bate tum tum.<br />
Acelerado tum tum tum tum quando ela está perto.<br />
Irregular tuuuuuuum tut um se ela se vai.<br />
Desnorteado tum paralalalá chibum se me sorri.<br />
Meu coração se aperta todo diante dela<br />
Repuxa minha face até parecer um sorriso bobo.</p>
<p>Quisera eu acreditar no amor como algo inventado na idade média, moderna ou antiga.<br />
Que algum filósofo ou escritor pensou e puf! criou o amor.<br />
Fácil assim.<br />
Sem paranóia.<br />
Talvez se acreditasse nisso também acreditaria que posso dizer o que eu quiser que o amor é e puf! acreditariam em mim.</p>
<p>Eu diria que o amor está dentro do coração.<br />
Mas que o coração está dentro da cabeça.<br />
Pois amamos aquilo que vemos, já que os olhos estão na cabeça.<br />
E meus olhos derramam lágrimas quando meu coração chora.<br />
E amamos o que ouvimos, porque os ouvidos estão na cabeça.<br />
Por isso não ouço a ninguém quando meu coração ensurdece.<br />
Também amamos aquilo que degustamos, pois a boca está na cabeça.<br />
Assim quando a beijo meu coração fica pertinho do dela<br />
Tão pertos que nem parecem dois, mas um só.<br />
Enfim, diria que amamos<br />
Ou pensamos que amamos<br />
Simplesmente<br />
Porque o coração está dentro da cabeça.</p>
<p>E um lá no fundo pergunta<br />
E aquilo que fica no meio do peito, o que é?<br />
Sei lá, acho que se chama cérebro.</p>
<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/avatar_jeff.jpg" title="avatar_jeff.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/avatar_jeff.jpg" alt="avatar_jeff.jpg" /></a></p>
<p><strong>SOBRE O AUTOR</strong><br />
<strong>Jefferson Luiz Maleski</strong> é leitor compulsivo. Talvez por cursar Direito, que exige uma vasta leitura de seus acadêmicos. Talvez por considerar a leitura uma forma de diversão melhor que a TV, a Internet e as conversas de boteco. Com um pouco mais de 30 anos, mora atualmente em Anápolis, Goiás, e escreve resenhas e minicontos em vários sites da internet e/ou no <a href="http://www.jefferson.blog.br/">Libru Lumen</a>, o seu blog pessoal.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>3 Poemas</title>
		<link>http://www.3ammagazine.com/brasil/3-poemas/</link>
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		<pubDate>Wed, 14 Nov 2007 14:05:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[<img vspace="5" hspace="5" border="solid black 1px" align="right" alt="eloi.jpg" src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/eloi.thumbnail.jpg" id="image1388" />Quem nasceu na vida assim
Pobre como eu nasci
Tem que ganhar seu din-din
Saltando daqui prá’li

Quem me viu numa zerada
Que veio lá do Japão
Eu mesmo não tenho nada
Ela é do meu patrão


Por <strong>Elói de Paula Pereira</strong>.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Elói de Paula Pereira.</p>
<p><strong>Eu Gostio</strong></p>
<p>Para andar só tenho os pés<br />
Só visto roupas de brechó<br />
Eu sou gente da ralé<br />
Sou mais pobre do que jó</p>
<p>Quem nasceu na vida assim<br />
Pobre como eu nasci<br />
Tem que ganhar seu din-din<br />
Saltando daqui prá’li</p>
<p>Quem me viu numa zerada<br />
Que veio lá do Japão<br />
Eu mesmo não tenho nada<br />
Ela é do meu patrão</p>
<p>Viciei-me nesta lida<br />
De aperto e confuzão<br />
Se eu tivesse outra vida<br />
Seria o mesmo pobretão.</p>
<p><strong>Trevas Interiores</strong></p>
<p>Na somba da morte<br />
Eu me faço de forte<br />
Porem minha coragem<br />
É mera passagem<br />
Pois no seio da briga<br />
Que me arrasa e fustiga<br />
Sou um reles bringuedo.</p>
<p>Mas foi o golpe inclemente<br />
da palavra fluente<br />
que em fugaz trajetória<br />
deixou como história<br />
minh’alma ferida</p>
<p>Desta luta sem fim<br />
que dá cabo de mim<br />
não sei como sair.<br />
Estou bem vigiado<br />
Cruelmente algemado<br />
Pelo cão da moral<br />
Esse vil General<br />
Que se alia a Morfeu<br />
E no sonho que é meu<br />
Consegue chegar.</p>
<p>Eu rezo, eu choro.<br />
Eu grito e imploro<br />
Mas ninguem me escuta<br />
É que estou numa gruta<br />
E da prisão do meu “Eu”<br />
Não sei como escapar.</p>
<p><strong>O Mensageiro</strong></p>
<p>Sou um vento que corta campinas<br />
A levar o perfume das flores<br />
Levo o som de mansos regatos<br />
Levo tristes queixume de amores</p>
<p>Levo doces murmúrios de preces<br />
E os ruidos convulsos da morte<br />
O aroma do milho que cresce<br />
Levo até as paragens do norte</p>
<p>Levo juras de ternos casais<br />
Ou tramóias de vís bandoleiros<br />
Vou passando por mil arraiáis<br />
Em visita a mil pardieiros</p>
<p>Da neve eu levo a brancura<br />
E do sangue vibrante o vermelho<br />
Da da donzela eu levo a doçura<br />
E do ancião erudito o conselho</p>
<p>Levo a paz para o lar do cristão<br />
Mas o ódio vai junto também<br />
Brigam os dois em um só coração<br />
Num duelo do mal contra o bem</p>
<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/eloi.jpg" title="eloi.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/eloi.jpg" alt="eloi.jpg" /></a></p>
<p><strong>SOBRE O AUTOR</strong><br />
<a href="http://www.autordesconhecido.blogger.com.br/">Elói de Paula Pereira</a> Nasceu aos sete dias do mês de outubro de 1946, em uma fazenda próxima da então vila, e hoje cidade de São José da Barra, em Minas Gerais. Lá viveu até seus seis anos de idade, quando tangidos pela necessidade de buscar escolas para seus filhos, os respectivos progenitores houveram por bem trazê-lo para a cidade de Passos. Veio para estudar mas nesta cidade se revelou um aluno relapso. Pouco dado ao exercício do estudo metódico e disclinado, cheio de fantasias irreais, descambou-se para a vida boêmia e dessa maneira colecionou uma serie interminável de fracassos, até que um dia seguindo sua índole aventureira entrou, através de concurso, para os quadros da Fundação Nacional do Índio(FUNAI).Entre os índios viveu por um breve periodo de tempo, dois anos aproximadamente. Retornando à sua cidade chafurdou-se no alcoolismo, vivendo assim terríveis momentos, permeados por alguns momentos de lucidez durante os quais publicou algumas coisinhas, em peródicos locais, uma ligeira participação na xogun, recebeu um modesto prêmio no concurso Henriqueta Lisboa (2004) da gloriosa Arcádia de Minas Gerais. Impactado por este evento a prefeitura ofereceu a ele o saguão da Casa da Cultura para a exposição de seus poemas como um varal de poesias.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Projeção Astral</title>
		<link>http://www.3ammagazine.com/brasil/projecao-astral/</link>
		<comments>http://www.3ammagazine.com/brasil/projecao-astral/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 08 Nov 2007 11:07:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Fiction]]></category>

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		<description><![CDATA[<img vspace="5" hspace="5" border="solid black 1px" align="right" alt="pb.jpg" src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/pb.thumbnail.jpg" id="image1388" />Richard Branson, dono da
Virgin Galactic e capitalista multifuncional, assistiu
emocionado à ascensão rápida de seu foguete. Morgan
Freeman, Paris Hilton, Madonna e outras celebridades
maravilharam-se com o planeta que encolhia até o
oitavo minuto de vôo, quando o motor de combustível
sólido explodiu no limiar da Atmosfera lançando uma
chuva de cinzas estelares no oceano Pacífico. Comoção
mundial e especiais na TV.

Por <strong>Patrick Brock</strong>.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Patrick Brock.</p>
<p>a) Estebán Luenzia, 35 anos, operário em manutenção na<br />
Fábrica de Azulejos Valenciana em Juan de Moro,<br />
desprezado e humilhado pela mulher [que o traiu rindo<br />
e sem pensar muito com um dos gerentes da fábrica],<br />
ligou o forno de cozimento em 700 graus centígrados,<br />
colocou-se dentro da sala chamuscada e sentiu o calor<br />
crescendo, dissolvendo roupas, carnes, ossos e a sua<br />
dor.</p>
<p>b)Em outubro de 2008 partiu para a órbita da Terra a<br />
primeira espaçonave SpaceShip2, derivada do modelo<br />
ganhador do prêmio Ansari X. Richard Branson, dono da<br />
Virgin Galactic e capitalista multifuncional, assistiu<br />
emocionado à ascensão rápida de seu foguete. Morgan<br />
Freeman, Paris Hilton, Madonna e outras celebridades<br />
maravilharam-se com o planeta que encolhia até o<br />
oitavo minuto de vôo, quando o motor de combustível<br />
sólido explodiu no limiar da Atmosfera lançando uma<br />
chuva de cinzas estelares no oceano Pacífico. Comoção<br />
mundial e especiais na TV.</p>
<p>c) Hoje eu alcancei a imortalidade. Há uma semana, ao<br />
anoitecer, fui atacado por um enxame de muriçocas<br />
enquanto arrancava ervas daninhas em meu sítio. Como<br />
não coçou, continuei a trabalhar e fui mordido<br />
centenas de vezes. No outro dia eu acordei<br />
completamente inchado. Fiquei de cama por sete noites,<br />
tão doente que não comia, bebia ou ia ao banheiro, sem<br />
forças até para tirar minha própria temperatura.<br />
Quando consegui, de frente para o espelho do banheiro,<br />
olhei para o meu rosto pela primeira vez e via a<br />
morte. Gargalhadas solitárias. Voltei para a cama e<br />
senti o corpo leve com o surgimento de minha alma<br />
imortal em forma de planta gigante. Tudo escureceu e<br />
surgiu um Portal. Eu o atravessei e então vi o<br />
Messias, mas outro espírito brilhante surgiu e me<br />
acusou: como eu ousava ir até ali, depois de tudo que<br />
eu tinha feito? Ele colocou uma pilha de coco na minha<br />
frente. Resisti e conversei telepaticamente com o<br />
Messias pelas próximas sete horas. Acordei no outro<br />
dia completamente curado e com a lembrança das<br />
palavras finais do Messias: Você atravessou o Portal<br />
sem medo, então pode voltar e retomar sua alma.</p>
<p><a href="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/patrick1.jpg" title="patrick1.jpg"><img src="http://www.3ammagazine.com/brasil/wp-content/uploads/patrick1.jpg" alt="patrick1.jpg" /></a></p>
<p><strong>SOBRE O AUTOR</strong><br />
Escreveu <em>Velhas fezes</em> (contos, Edições K, 2004) e <em>Textorama</em> (contos, Edições K, 2004). Foi editor do <a href="http://edicoesk.blogspot.com/">K</a> zine (2001-2003).</p>
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