Flip
Reportagem do Britânico The Guardian sobre a Festa Literária Internacional de Parati, traduzido para o Português por 3:AM Brasil.
Com corcertos de Bossa Nova, bonecos de papier-mâché e livros pendurados por cordas nas Palmeiras, a Festa Literária Internacional de Parati (Flip), qual comemora o quinto aniversário este ano traz um espírito carnavalesco para um longo fim de semana de eventos literários. Por quatro dias a pitoresca cidade de Parati se tornou o lugar de encontro para muitos dos melhores escritores do mundo. Criado por, Liz Calder, Editora Bloomsbury, Flip é um dos primeiros festivais de literatura Sul Americano, embora, como seu marido e co-fundador do Flip Louis Baum enfatiza, eles preferem chamar o evento de festa - uma festa literária - bem melhor que festival, e Brasileiros adoram festas.
Situado na beira da baía, o auditório estava decorado com os desenhos maravilhosamente macabros de Jeff Fischer (ilustrador das distintivas jaquetas de Louis de Bernieres). Na praça principal, havía um enorme boneco da barata de Kafka. “O que isto está fazendo aqui?” Pergunta Will Self. “Isto é a mais horripilante estória do cônego ocidental.” Isto é parte do popular e alegremente barulhento - festival das crianças, Flipinha, creditado com o crescimento do hábito de leitura nas cidades e vilas vizinhas.
São incluídos entre os prévios ilustres visitantes Julia Barnes, Salman Rushdie, Martin Amis, Ian McEwan, Orhan Pamuk e Toni Morrison. Mas o convidado que causou o maior movimento foi Eric Hobsbawm, que recebeu boas-vindas de rock star em 2002 e até perseguido por admiradores. O alinhamento deste ano não foi menos impressionante, com ambos renomados e jovens autores Brasileiros se unindo com Amos Oz, Ahdaf Soueif, Kiran Desai and Mia Couto. Também ostentou dois grandes autores Sul Africanos: Nadine Gordimer e JM Coetzee.
A conversa entre Gordimer e Oz sobre escrever em lugares de conflitos recebeu aclamação festiva. Perguntado se escrever na África do Sul ou Israel é diferente em ser um escritor em outros lugares, Gordimer responde: “Isto é algo existencial que penetra o coração do seu ser.” Mas Oz quis lembrar os leitores que “embora ações políticas são importantes para o meu trabalho não são essenciais”, ambos concordaram na frustração de seus livros serem lidos apenas como alegoria política. Havía também um repetido tema doméstico: “Se você quisesse que eu descrevesse meu trabalho em uma palavra, ela seria familias, “Oz responde: “Duas palavras - familias infelizes. Eu acho a familia a mais paradóxica, engraçada e fascinante instituição no mundo.”
Apesar da interminável luz do sol e caipirinhas não asseguraram a amigável atmosfera. Self acusou o miserável moderador de olhar para ele “como se você fosse fritar meus testículos mais tarde”. E quando foi sugerido que os Ingleses são afligidos com complexos de classe e superioridade. Ele respondeu: “OK, então eu venho de um paísinho de alta classe de merda.” Houve agressão de natureza mais física, também. Um jornalista Brasileiro, desapontado em não ser concedido uma entrevista com o famosamente reservado Coetzee, ficou tão nervoso que esmurrou o pobre publicitário. Raramente eventos literários provocam tanto entusiasmo.
Original aqui.
Publicado primeiramente em 3:AM Magazine: Sunday, July 15th, 2007.
