Imigrantes, o Reino Precisa Deles

Por Zan.

3:AM: Primeiramente, o que você diria para aqueles que frequentemente alegam que o principal problema da imigração é uma básico questão de justiça — pessoas que são nascidas no Reino Unido ou vem por meios legais não deveriam ter suas oportunidades e infra-estrutura social questionada por aqueles que vem ilegalmente ou viriam sob uma resolução de uma livre fronteira?

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PL: O caso de uma fronteira-livre — ou de uma livre imigração — é tríplice: Espelha liberdade, amplia oportunidades e enriquece a econômia, cultura e sociedade. Então me deixe propor a questão diferentemente: Seria justo que o rico e o educado possam circular por todo o mundo livremente enquanto pessoas em países pobres devem ficar nos países onde nasceram? É justo que, sob a nova proposta do governo em imigração, o sistema de pontos, as pessoas de países em desenvolvimento que carece de qualificações que o governo supõem necessárias não terão rota legal para vir trabalhar neste país? Seria surpresa — ou injusto — que se fosse impossível vir trabalhar no Reino Unido legalmente que algumas pessoas o faríam ilegalmente?

Vamos ser claros: Não existe evidência que imigrantes arruínam as possibilidades de trabalhadores britânicos — A TUC, que antes de mais nada representa os interesses de trabalhadores britânicos, encorajam uma imigração mais livre. Embora a Grã-Bretanha tem aberto suas portas para os 75 milhões de cidadãos da Polônia e os outros sete pobres países ex-comunistas que entraram para a União Européia em 2004, a percentagem de trabalho para trabalhadores britânicos continua historicamente alta e salários continuam aumentando — tão rápido, certamente, que o banco da Inglaterra está preocupado com o aumento tão rápido. Claro, alguns indivíduos podem perder a chance: um irresponsável construtor britânico que faz um trabalho fajuto deve se encontrar fora do campo de trabalho. Mas muitas pessoas (incluindo muitos construtores) ficarão bem, porque imigrantes não simplismente roubam empregos, eles também criam empregos quando eles gastam seus salários e em complementárias linhas de trabalho: um influxo de contrutores, por exemplo, criam extra demanda para fornecedores de material de construção e designers de interiores. Mesmo se os construtores Poloneses trabalhassem por salários menores que os britânicos, eles não necessariamente deprivam construtores britânicos de trabalho: se é mais barato, mais pessoas podem bancar em ter suas casas feitas, de modo que o influxo de construtores Poloneses aumenta o tamanho total do mercado e capacitam pessoas de menos poder aquisitivo fazerem melhoramentos em suas casas. E frequentemente, o trabalho de imigrantes é complementário aos dos trabalhadores britânicos: uma babá estrangeira pode ajudar uma doutora a voltar ao trabalho, onde sua produtividade é aprimorada por outros estrangeiros como enfermeiras e pessoas que fazem limpeza.

Nem os imigrantes questionam a social infrastrutura Britânica. Pelo contrário: sem trabalhadores estrangeiros, o NHS sofreria um colapso. O ministro de Imigração, Liam Byrne, estima que imigrantes fazem 8% da população mas contribui 10% de GDP. Se isto está certo, sua contribuição para a econômia britânica é de mais ou menos £24 bilhões por ano. Mesmo que, então, tendo mais pessoas estrangeiras no país exija gastar algo daqueles £24 bilhões em extra investimento em transporte público, a Grã-Bretanha contínua rica como resultado. Se o governo falha em fazer o necessário investimento, daí é culpa do governo, não dos imigrantes — tão quanto o fato do metro estar super-lotado não ser culpa dos turistas americanos, Galeses estudando em Londres ou trabalhadores Poloneses, mas é insuficiência do governo em não fazer provisões adequadas no transporte público.

3:AM: Seu ponto sobre propagar liberdade é boa e digna de desenvolvimento. Em uma entrevista com 3:AM há alguns anos atrás, Paul Kingsnorth observa:

“Quanto a Philippe Legrain — Eu tomei parte num debate público com ele no Festival do Livro em Edinburgh este ano, e o problema dele — o que ele divide com todos os defensores do capitalismo global que eu tenho encontrado — é que ele não parece ser capaz de definir o que ele quer dizer por ‘globalização’. Isto é um mundo imprestável, mas se você vai defende-lo (ou ataca-lo) você precisa definir o que isto é. Estou falando sobre o desenvolvimento de capitalismo neo-liberal por todo o mundo. Philippe está conversando sobre tudo desde livre comércio a aviação, dos acordos da UN até eventos esportivos internacionais — em outras palavras, ‘globalização’ é definida por ele como ‘simplismente qualquer coisa acontecendo internacionalmente’. O que é útil quando ele tenta escapar questões sobre todo os danos que o adorado mercado livre dele está causando.”

O que você responde a esta crítica? Tanto o seu último livro quanto o primeiro segue a mesma linha de argumentos sobre a ‘Tirania da Geografia’?

PL: Talvez Paul Kingsnorth não tenha, na verdade, lido meu primeiro livro, Open World — ou talvez ele está convenientemente erroneamente me citando . Nas páginas 4-7, eu descrevo o que globalização é, enquanto nas páginas 10-12 eu descrevo o que globalização não é. Eu defino isto desta forma: “Este mundo feio é estenográfico em como nossa vida está se tornando progressivamente misturada com distantes pessoas e lugares em volta do mundo — economicamente, politicamente e culturalmente.” Eu continuo explicando que globalização inclui não apenas econômicos vínculos de troca, investimento e migração, mas também politicamente, tal como o crescente sistema de regras internacionais e instituições em áreas tais como: comércio, meio-ambiente, direitos humanos e muitos outros, como também a inchação do nível de transnacionais grupos de pressão que estao incitando o começo de política global — Grupos de mais novas campanhas como Amigos da Terra e Amnistia Internacional, e também corporações longamente estabelecidas como a Igreja Católica e o movimento internacional trabalhista. Último mas não menos importante, vem as relações culturais: a mistura de culturas através de migração; a rápida cobertura de notícias, idéias e moda através do comércio, viajens e mídia; e o desenvolvimento de variedades global que servem como um comum ponto de referência. Toda esta globalização é movida parcialmente por ser mais barato, mais fácil e rápido transporte e comunicação: Aéroplanos, rádio, televisão, telefones, a internet (e antes a linha ferroviária, navios e o telégrafo). Ainda, globalização envolve mais que mudanças na tecnologia: é também uma escolha política em abrir a fronteira nacional para influências estrangeiras. A explosão nos limites das fronteiras é mais um resultado das decisões do governo em remover restrições no comércio, investimento no estrangeiro e transferência do capital como também melhor transporte e comunicação.

Globalização não é estenográfico para a forma que o mundo é hoje, deixa pra la tudo aquilo que não se gosta sobre isto. Nem é o mesmo que privatização e desregulamentação. Desregulamentação ou privatização não precisa implicar globalização. Por exemplo, América desregulamentou seu mercado aéreo em 1978. A aviação americana é livre para usar seus preços competitivamente, eles decidem se transitam ou não suas rotas; novas companhias podem entrar no mercado. Ainda assim, companhias estrangeiras não são permitidas em comprar transporte de aviões americanos ou voar as rotas dos vôos domésticos americanos. A indústria aérea americana tem sido desregulamentada, mas não se tornou acessível a competição internacional. Ou considere a Europa. British Airways, Air France e Lufthansa, todas tem sido privatizadas, mas ainda assim, não encaram a competição americana nas rotas dentro da Europa. Ao contrário, globalização não precisa implicar desregulamentação ou privatização. As companhias de drogas americanas, tal como Merck ou Pfizer, encaram vigososa competição com companhias farmaceuticas estrangeiras, tal como a Britânica Glaxo Smith Kline ou a Suíça Novartis, ainda assim o mercado americano continua firmemente regulado pela Food and Drug Administration (FDA). A agência de correio Britânico encara competições com companhias estrangeiras de serviço de encomendas como a Alemã DHL e a Americana Federal Express, mas continua pertencendo ao estado. Claramente, privatização pode encorajar globalização se uma firma estrangeira toma o comando de uma firma doméstica, como também pode desregulamentação, se for permitido entrar a competição estrangeira. É também claro, se um governo quer aumetar a competição, pode ter que desregulamentar como também abaixar seus preços de comércio. Também, se você acredita em mercado livre, você provavelmente apoia ambos, embora não necessariamente: Inteligentes livre comerciantes compreende que o comércio pode falir e regulamento as vezes é preciso. Globalização não é o mesmo que, e precisa nao implicar, um fim na intervenção do estado.

Na página 13 do meu último livro, Immigrantes, eu defino globalização como “a combinação de distante-retrocesso tecnológico e posição do governo em abertura do comércio que está fazendo o mundo ficar mais junto”. Acho isto perfeitamente claro. Talvez o real problema de Paul Kingsnorth é que minha definição diferência da dele em vários importantes aspéctos. Primeiro, eu não uso dialétos tais como “neo-liberal”, qual é um termo tão vago que quase nao tem significado. Segundo, eu não aceito que globalização é sinônimo de dispersão do capitalismo, “neo-liberal” ou em outros contextos, em todo o mundo. Suécia é uma das mais abertas econômias do mundo: aberto ao comércio, aberto ao capital internacional e progressivamente aberto para migração também, ainda assim é de uma democracia social de sucesso onde o estado conta com metade da econômia. É globalizado, mas não é “neo-liberal”. Esta distinção é fundamentalmente importante. A difinição de Kingsnorth é ambas, muito estreita — omite a cultural e o político aspécto da globalização — e muito ampla: junta as reformas do comércio doméstico com jogadas no crescimento de abertura internacional.

Para colocar isto de outra forma, eu não acredito que globalização é necessariamente “da direita” ou “da esquerda”. Acredito que é tão compatível como o estilo social democrático suiço como o estilo do capitalismo americano. Na mesma disposição, não acredito que facilitando a migração internacional é “da direita” ou “da erquerda”: Seria realcar liberdade porque daria às pessoas em países mais pobres a liberdade de se movimentar pelas frontreiras que nós, nos países mais ricos, assumimos ser normal; isto expandíria oportunidades porque daria à pessoas em países pobres um amplo conjunto de oportunidades para melhorar suas vidas em indo trabalhar num país rico se esta for sua escolha faze-lo; isto enriqueceria a econômia e através de benefícios coletivos de extra diversidade e dinâmismo que eles trariam, no meio que é expressado em novas idéias, novos negócios, nova arte, etc.

3:AM: A respeito da recente proposta de amnistia aqui na Grã-Bretanha, a reação na mídia e no mundo político tem sido de uma total hostilidade, se não, pelo menos não compreensão pela situação de imigrantes irregulares. Sabendo disso, você não vê que uma fronteira livre quase impossivel de alcançar? Similarmente, quando você diz “É isto, surpreendente — ou injusto — que seja impossivel vir trabalhar na Grã-Bretanha legalmente que algumas pessoas o fazem ilegalmente?”, o que você diria para aqueles que clamam que imigração livre recompensa a ilegalidade e nós precisamos ser mais rígidos em quem está fora da lei e não mais compreensiveis?

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PL: Eu concordo que a maioria das pessoas na Grã-Bretanha hoje não apoiariam uma fronteira-livre, mas isto não significa que atual controle de imigração é justificado. Nós deveríamos continuar fazendo campanhas contra eles de forma que um dia esta migração seja abolida. Além do mais, abolir a escravidão ou mulheres conquistando o voto, parecia ser um sonho impossivel mas eventualmente se tornou realidade.

No assunto de imigrantes ilegais, há duas respostas. A primeira é de princípio: se uma lei está errada, passar por cima dele é uma má idéia. A segunda é pragmática: se uma lei não é eficiente, certamente improdutiva, então certamente é melhor aboli-la, ou pelo menos aliviar seus prejudiciais efeitos, melhor que simplesmente negar a realidade.

Ja é hora de políticos Europeus admitam à seus eleitores (e à eles próprios) que governo não pode parar as pessoas em se mover através de fronteiras. Apesar de esforços em construir uma fortaleza em volta da Europa, mais de um milhão de estrangeiros ultrapassou essas defesas a cada ano: alguns entram encobertamente, a maioria ficam mesmo depois de vencidos seus vistos e então trabalham de forma ilegal. Enquanto perversas diretrizes reprimem migração de certa forma, na verdade elas apenas guiam esta migração a existir sob a sombra do sistema.

Isto cria um custo enorme: uma crise humanitaria, com milhares se afogando cada ano tentando alcançar a Europa e outros milhares são detidos; os ascentendes custos de controle de fronteira e burocracia, uma indústria criminal do tráfico de pessoas, uma crescente econômia as sombras, onde imigrantes ilegais são vulneráveis a exploração, leis trabalhistas são quebradas e taxas não pagas; uma explosão de criminalidade, um prejudicial efeito na credibilidade do governo, porque os políticos não podem cumprir suas promesas em conter a imigração; a corrosiva atitude dirigido a imigrantes, que são entendidos como fora-da-lei invés de pessoas dinâmicas e que trabalham duro; um perverso incentivo para estrangeiros que viriam temporariamente em ficar permanentemente, porque se eles se vão eles enfrentariam dificuldades se eles quisesem retornar; e o ato de crueldade para com refugiados numa tentativa em deter pessoas que querem vir trabalhar solicitando asilo, enojando nosso compromisso em ajudar aqueles que fogem o terror.

Geralmente, os imigrantes são vistos como culpados por estes problemas, mas isto é, na verdade, culpa do nosso controle em imigração, que não é apenas cruel, mas nem um pouco efetiva e nem produtiva. Longe de proteger a sociedade, ela prejudica a lei e a ordem, assim como proibição prejudicou mais a América que o próprio ato de beber jamais a tenha prejudicado antes. Governos pregmáticos certamente devem legalizar e regular migração, e não proibi-la. Ainda mais porque imigrantes não são como um exército tentando invadir, mas na sua maioria, pessoas procurando uma vida melhor e atraídos para a Europa pela imensa demanda por trabalhadores para preencher os subempregos que nossa envelhecida e crescente abundante sociedades contam com, e qual nossos crescentes números de mais instruídos e acomodados cidadãos não estão interessados.

Aqueles que dizem que mais rigidas leis poderíam parar imigração espalham um falso prospécto. Mesmo que a Europa se torne um estado policial, suas bordas seriam penetráveis. Mesmo que, num custo enorme, a União Européia construa um muro ao longo de sua vasta fronteira oriental, posicionando uma patrulha armada em sua costa meridional, vasculhando cada um dos veículos que chegam, barcos e container, negado vistos às pessoas de países em desenvolvimento em conjunto, e enforçando rigorosa verificação interna no direito das pessoas em estar aqui, ainda assim, migrantes passariam: documentos podem ser forjados ou roubados, pessoas traficadas, oficiais comprados.

Seria melhor se nossas fornteiras fossem abertas, não só entre países da Comunidade Européia mas também para não europeus. Mas se isto não é politicamente aceitável agora, Europa deveria pelo menos abrir uma rota legal para pessoas de paises em desenvolvimento trabalhar aqui. Com o tempo, espero que possamos estar numa posição onde fronteiras são completamente abertas.

3:AM: Você usaria similar regra em, digamos, drogas ou prisão?

PL: Me deixe ser claro: Eu não acho que imigração é uma coisa ruim, então eu não acredito em reinstringir em nenhum caso. Mas acho que aqueles que vêem que imigração como uma ameaça deveriam entender que bani-la não funciona e causa mais problemas invés de resolve-los, de forma que deveriam preferir que migração fosse legal e regulada, invés de ilegal e irregular.

No caso de drogas, acho que pessoas deveriam ser livres em fazer coisas a elas mesmas que irão, potencialmente, ou provavelmente, prejudica-las — seja isto fumar, beber, tomando E ou escalar montanhas. A lei deveria apenas interfirir onde pessoas prejudicam outros ou os colocam em inaceitável risco: dirigir bêbado, negligênciar suas crianças (seja por que alguem esta usando drogas, ou qualquer outra razão), roubar etc. Ao mesmo tempo, acho que mesmo aqueles que (incocientemente) acreditam que algumas drogas deveriam ser ilegais, até mesmo o álcool e tabaco, não compreendem que banindo drogas não funciona e causam mais problemas que soluções, como o recente relatório do RSA mostra.

3:AM: Quais são os culturais benefícios que você acha que imigrantes trouxeram a Grã-Bretanha?

PL: Um grande benefício cultural de imigrantes é que alarga a diversidade de experiências culturais disponiveis na Grã-Bretanh: Seja em comer curry ou comida Vietnamita, escutar músicas como reggae ou samba, ou praticando tai-chi e meditação budista. A segunda é que essa mistura de cultura nos leva a distintivas inovações: comida ânglo-Indiana tal como tikka masala como também uma fusão de comida asiática; hip hop e R&B; novas hostilícas terapias que misturam influências orientais e ocidentais; escritores de heritária mistura tais como Salman Rushdie e Zadie Smith.

Um terceiro benefício é ambos mais amplo e mais profundo: ser confrontado com diferentes tipos de pessoas, diferentes pontos de vista, diferentes formas de pensar e diferentes estilos de vida que nos ajudam entender o mundo melhor, entender melhor nossa própria cultura, entender os valores e concepções que estão por de trás disso tudo, e esperançosamente nos ajudar a progredir individualmente e como sociedade. Por exemplo, imigração pós-guerra realçou o racismo prevalente na sociedade britânica e estimulou uma longa batalha para combater discriminação; e enquanto claramente isto ainda existe, há muito menos racismo que havia cinquenta, trinta ou até vinte anos atrás. O debate sobre casamentos forçados e multilação genital tem exposto os limites de relativismo cultural e fortaleceu a crença de muitas pessoas em insistir na importância de valores como a igualdade entre homens e mulheres. E em lugares como Londres, muitas pessoas da minha geração, que tem crescido numa sociedade multicultural, acha que não é apenas normal mas desejável viver entre pessoas de diferentes antecedentes, com diversidade não como algo para ser tolerado mas algo para ser apreciado.

Um quarto benefício é mais pessoal: revela um conjunto todo novo de possibilidades para amizades, e potencialmente amor, como o crescimento no número de raças mistas e mistura de relacionamentos culturais mostram.

3:AM: É frequentemente aceito que o estado requer território para ser governado, um governo para governa-lo e uma política para ser governada. Se nós optamos por fronteiras livres, isto não deiminuiria a abilidade do estado em existir num sentido significante?

PL: Eu não vejo como. Grã-Bretanha não tinha nenhum tipo de controle de imigração até que adotou o Aliens Act de 1905 para manter fora “indesejável” — leia-se “judeus” — imigrantes. A Grã-Bretanha e Irlanda tinha uma fronteira aberta sem isso os previnir em serem estados separados, e agora, a Grã-Bretanha tem uma fronteira aberta largamente com o resto da União Européia sem isto questionar nossa habilidade (ou direito) em nos movermos livremente entre as fronteiras, a habilidade (ou direito) em trabalhar onde quer que você escolha, e a abilidade (ou direito) em nos tornarmos cidadãos e votar. Eu não estou defendendo a idéia de qualquer um que simplismente apareça possa votar na Grã-Bretanha, mas que qualquer um (exeto criminosos, terroristas, etc) deveria ser livre para trabalhar aqui. Apenas se permanecer a soma do tempo requisitado, solicitar a cidadania e preencher os padrões requisitados e se tornar cidadão britânico e ganhar o direito de voto.

Em tal mundo, muitas das pessoas que cruzaram fronteiras o fariam temporariamente, porque a maioria das pessoas nao querem deixar o lar para sempre, e eles teriam o direito de trabalhar na Grã-Bretanha mas não o direito de votar, assim como encanadores poloneses e banqueiros americanos fazem no momento. Outros permaneceriam por mais tempo e adquiririam os direitos que vão com a residência, mas escolheriam em não se tornar cidadãos (como meu pai, Francês, por exemplo, que tem vivido em Londres desde 1970 mas não é um cidadão britânico). Finalmente, alguns se tornariam cidadãos, assim como imigrantes em longo termo fazem no momento, como fazem outros imigrantes que se casam com cidadãos britânicos, e assim por diante.

3:AM: Como você acha que seu livro e seu argumento tem sido recebido? Como será seu próximo trabalho?

PL: O livro está indo muito bem em termos de vendas, não apenas na Grã-Bretanha mas também no exterior, notalvelmente na Austrália, e está para ser publicado nos Estados Unidos por Princeton University Press em Agosto. O livro tem recebido boas críticas, notavelmente no The Guardian, onde Robert Winter disse: “Em todos os aspectos Legrain acerta bem no alvo… No contexto da temida conversa que rodeia o assunto, bom senso como este precisa ser cultivado“. Eu tenho sido convidado em aparecer em TV e programas de rádio, escrever artigos e falar em eventos, então o livro está tendo algum impacto. E isto é realmente encorajador quando as pessoas dizem o quanto elas curtiram o livro e o quanto estão felizes que alguém está dizendo alguma coisa positiva sobre imigrantes pra variar.

Tendo dito isso tudo, é bem claro que muitas pessoas são opostas a imigração, algumas até amargamente contra, e esta maioria de pessoas na Grã-Bretanha estão preocupadas sobre isto. De acordo com YouGov plebiscito, 65% das pessoas acham que limitar a imigração deveria ser uma prioridade de Gordon Brown quando ele se tornar primeiro ministro.

É por isto que acho que o argumento em imigração tem que ser feito em vários niveis: um caso de princípio: isto aumenta liberdade e diminue injustiça; um caso humanitário: ajuda pessoas em países em desenvolvimento; um caso econômico: nos enriquece; e um caso pragmático: é inevitável, então isto é do interesse de todos em tirar o que é melhor disto. No lado positivo, eu acho que a relação de troca de gerações mudará os termos do argumento: como a geração pós-guerra, as pessoas comerçarão a se preocupar sobre quem tomará conta delas quando se tornam velhas; e as pessoas mais novas que cresceu num ambiente multicultural são frequentemente mais abertas a imigração; no lado negativo, esta preocupação sobre terrorismo e muçulmanos extremistas está contribuindo para que muitas pessoas se tornem contra a imigração.

Por enquanto, quero me devotar em colocar o caso por fronteiras abertas e livre imigração, através do livro, artigos, mídia, e assim por diante.

3:AM: Finalmente, que conselho você daria para os possiveis imigrantes que querem vir do Brasil para a Grã-Bretanha?

PL: Brasileiros são bem-vindos no Reino Unido, há muitos aqui. Não percam o ânimo pelo tempo frio!

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SOBRE O ENTREVISTADO
Philippe Legrain é um jornalista e escritor situado em Londres, o autor de Open World: The Truth about Globalisation (2002) e Immigrants: Your Country Needs Them (2007). Tendo estudado na London School of Economics, ele então trabalhou no World Trade Organisation (brevemente como consultor do diretor-geral Mike Moore). Ele ja escreveu para Financial Times, The Wall Street Journal Europe, The Times, The Guardian, The Independent, New Statesman e The Ecologist, como também para The New Republic, Foreign Policy e Chronicle Review. Kundera, Garcia Marquez e mais recentemente Murakami tem feito seus favoritos.

Publicado primeiramente no 3:AM Magazine: Sunday, July 29th, 2007.