Arquivos de Crítica.

LIVRE PARA SER PRESO. publicado 14/12/2009

2.jpgAfobório criou uma novela com os elementos práticos e sucintos da produção do contista que sempre foi: nada sobra e nada falta na engenhosa história de Alencar e Jorge, seus perturbados protagonistas.
O primeiro, um fazendeiro mais pedante que esperto, sofre pelos chifres que sua falecida mulher colocou em sua testa. O outro, fugitivo da polícia, é completamente apaixonado por uma boneca e acredita piamente ser uma onça pintada.
O enredo lhe pareceu absurdo? E é.
Isso até que se comece a ler a extraordinária história de dois homens que desafiam sua própria humanidade, e lançam mão de uma guerra particular onde só cabem dois soldados, buscando na selvageria qualquer coisa que os aproximem dos homens que nunca foram.

Por Gabriel Nepomuceno Vieira.

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Beto Canales e tudo o que não vivemos. publicado 10/12/2009

beto-canales-entrevista-2.jpgA vida que não vivi, livro de estréia do escritor gaúcho Beto Canales, é sobre vidas - vividas e não vividas.
Vidas assumidas e vidas escondidas, vidas boas e vidas ruins, vidas santas e vidas profanas, vidas limpas e vidas sujas.
São 18 contos que retratam com minúcia e certo despudor a existência de vidas paralelas à nossa; vidas tão cruelmente verdadeiras que te obrigam a suspirar e retomar o fôlego ante cada história que se inicia.
Tem vidas pra caramba no livro.
E boas sacadas, daquelas que a gente sublinha com a caneta para poder reler mais tarde: “os segundos parecem vagões pesados e inertes”, “os meninos, cabisbaixos, tinham elefantes nas pálpebras”.
E por aí só vai.

Por Jana Lauxen.

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O Pó de Carol. publicado 25/09/2009

carol-bensimon-2.jpgCarol nos leva de volta para lugares dentro de nós mesmos, lugares que muito provavelmente já tenhamos até esquecido (ou tentado esquecer) que existem.
Em alguns momentos você precisa parar tudo para rir; em seguida, precisa parar tudo para disfarçar uma lágrima que, teimosa, quer descer. Em outros momentos você precisa parar tudo para pensar sobre o que acabou de ler e, num outro ainda, você lê repetidas vezes a mesma frase, numa tentativa quase desesperada de capturar dali todos os seus significados e significantes – e existem muitos, mais do que podemos apreender.

Por Jana Lauxen.

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Telefone para Lula. publicado 05/09/2009

toni.jpgOperador de Telemarketing- Nós sabemos que manter uma vida sexual constante, com a correria do dia-a-dia, não é coisa das mais simples.
Presidente Lula- ” O governo tenta fazer o simples, porque o difícil é difícil.”
Operador de Telemarketing- Pode se considerar otimista quanto à reação das mulheres acerca de sua aparência?
Presidente Lula- “Todo brasileiro tem motivos para se sentir otimista. As perspectivas só são ruins para os desempregados.”

Por Toni D’Agostinho.

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O Bigode publicado 14/12/2008

bigode1.jpgA trama evolui ao ponto em que ora Marc acredita – e nos leva junto – que ele é quem está louco e por isso faz sofrer a amada, para momentos depois concluir que ela é quem enlouqueceu e deve ser tratada com cuidado e amor. Carrère leva o choque de relacionamentos ao extremo: o quanto alguém estaria disposto a amar quem não acredita nele? Ou como seria possível amarmos sem acreditar na pessoa?

Por Jefferson Luiz Maleski.

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Dexter: A Mao Esquerda de Deus, de Jeff Lindsay publicado 19/10/2008

dexter.jpgQuem já segue a série Dexter (Showtime, 2006) – atualmente ela está no começo da terceira temporada – deve se surpreender com a escrita leve de Jeff Lindsay. É impressionante como ele consegue contar de forma descontraída e carregada de humor negro, em primeira pessoa, a história de um assassino em série. Esta tática faz com que o leitor conheça os pensamentos sombrios e contraditórios de Dexter. Pode-se tentar entender e até simpatizar com o seu modo de pensar.

Por Jefferson Luiz Maleski.

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O Caçador de Pipas publicado 24/11/2007

1942t.jpgO que diferencia um livro bom de um ruim? Alguns diriam que é a estória em si. Mas, e se existissem dois livros sobre a mesma estória, o que tornaria um deles melhor que o outro? Provavelmente a capacidade de um dos autores em melhor criar a arte literária, expressando de um modo único e perfeito aquilo que deseja transmitir. Sabe-se que duas pessoas podem presenciar o mesmo fato e o narrarem em versões totalmente distintas.

Por Jefferson Luiz Maleski.

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A Arte de Escrever com Arte publicado 01/10/2007

arte.jpgQuando um livro menospreza o leitor pela falta de qualidade, editoração, zelo e técnica, é como se aqueles que o escreveram, editaram e publicaram pensassem da mesma forma. Ou trabalhassem de modo apressado e desatencioso para lançar a obra. Não sei qual das opções seria a pior. É uma extrema falta de consideração para com o leitor, justamente daqueles que dependem dele para sobreviver: a editora e o livro.

Por Jefferson Luiz Maleski.

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Um Longo Lamento publicado 11/09/2007

lamento.jpgEla é uma estudante de cinema que se limitava a viver do Alcoólico – que é mesmo um alcoólatra, além de ser viciado em outras drogas. A protagonista-sem-nome se torna viciada por osmose. Mas o que mais lhe prejudica é o vício que tem pelo Alcoólico. O plano era simples: namorarem, casarem e serem felizes para sempre. O Alcoólico é um cantor e guitarrista de rock que é quase uma lenda na faculdade. Seus shows têm uma espécie de mística, sempre acontece algo de extraordinário em suas apresentações. Mesmo que isso signifique contar a “sua obscura história pessoal ao som de ‘Sympathy for the Devil’”.

Rafael Rodrigues critica Um longo Lamento de Amanda Stern.

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Bruna Surfistinha publicado 11/07/2007

bruna.jpgO Doce Veneno do Escorpião escapa da fórmula encontrada neste estilo de biografia por duas razões. Primeiramente, Bruna Surfistinha não vem do confortável, super-privilegiado cenário tipicamente encontrado neste tipo de texto biográfico. Morando em São Paulo, não há evidência alguma de problemas em termos sociais, mas conflito, apesar de tudo, é mostrado com sua problemática familia. Descobrindo, ainda cedo que é adotada, Raquel (mais tarde renomeando-se Bruna) é consumida por ódio contra sua familia adotiva.

Por Charlotte Stretch.

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