Arquivos de Fiction.

Vai. publicado 15/03/2010

foto-tassia.jpgTu, no entanto, custou a me deixar. Não entendia porque eu pedia pra ires embora se o queria tão bem. Confuso, impotente, quase desistiu. Mas de tanto que insisti, vencido, se foi. E quando o fez, fez ligeiro, sem olhar pra trás, talvez admitindo pra si sua ânsia em desvendar o desconhecido.
Depois disso, muitos me disseram que tu não saberias viver em liberdade, que estavas acostumado ao meu zelo e ao meu amor. Que eu te fizera mais mal que bem ao te deixar partir. E é possível que estivessem certos.

Por Tássia Jaeger .

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Amar como exercício. publicado

bruna_maria_foto2.jpg“Crerás em algum deus? Não posso saber. És tão miúdo e desconhecido que não parece estar comigo. Devo te amar, devo te receber como o filho esperado. Mas não te conheço. Quem sabe, ao longo do tempo, brote em mim, qual a muda que espero brotar no bosque, uma fração de sentimento por ti? Enquanto esperamos, saberás do meu amor através dos olhos – e, ao contemplar a grandeza das folhas verdes a ti dedicadas, bem ao alto, saberás que estas são fruto do meu empenho em deixar em ti um lastro de vida e uma prova do amor que, como pai, te devo.”

Por Bruna Maria.

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Uma Busca pelos Sentidos. publicado 04/11/2009

sidney.jpgConheci algumas poucas pessoas felizes em minha vida. Busco outras. Tento ainda tornar outras tantas felizes. Isso me faz feliz. Esse é meu Deus: tentar mostrar às pessoas que existem muito mais sentidos do que apenas os cinco mais conhecidos.

Por Sidnei Stadnik.

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O Consertador de Sapatos publicado 30/09/2009

karen.jpg“Mas pai, eu não quero passar o resto da minha vida aqui, quero ser diferente, quero…”
Não deixou que ele continuasse. “Quer o quê? Quer que todos pensem que meu único filho me virou as costas agora, nesta minha idade em que nada mais me espera, a não ser a velhice cega e sem piedade?”
“Chega, pai, vamos parar por aqui”.
Sentiu o martelo bater mais forte, assim como bateu forte a sua mão no rosto do filho. “Quem diz quando chega sou eu. Ainda mando aqui, sou teu pai”.

Por Karen Scopel.

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Incômoda Perfeição publicado 22/09/2009

tj.jpgSua vida, tal como ela mesma idealizava pros seus filhos, assim que os tivesse, lhe parecia sem sal. Estava tudo muito pronto. Fora muito planejado e bem estruturado. Seus pais suaram pra que ela tivesse uma vida sem necessidades. Não mediram esforços pra que ela jamais precisasse se esforçar. Assim, ela não tinha nada a fazer. Não precisava começar e nem terminar nada. Bastava continuar administrando o que lhe foi dado de mão beijada assim que seus pais partissem. E ainda faltava muito tempo pra que ela precisasse, de fato, administrar tudo aquilo. Só precisava gozar a vida. Mais nada.

Por Tássia Jaeger.

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Olimpo publicado 30/08/2009

denise.jpgSento, me ajeito como posso e entendo que a sessão começou.
- Não foi intencional. O trânsito estava ruim, o ônibus ficou retido.
- Você acha que penso ter sido sua intenção?
- Não penso nada. Só estou dizendo que não foi.
- Você está justificando sem motivo, então?
- Olha, não estou justificando. Não me faz sentir como se estivesse na porra do jardim de infância. Foi só um comentário. Pessoas fazem comentários.

Por Denise Ravizzoni.

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O Corpo publicado 19/08/2009

afoborio.jpg- Arthur, conhece o pipoqueiro?
- O da esquina, sim.
- Pois é esse mesmo.
- O que tem ele?
- Precisa matá-lo.
- Tem certeza, o que ele fez?
- É ele quem está por trás de tudo.
- Não pode, ele não é um homem capaz de sandices.
- Pois eu lhe digo que é.
- Acha mesmo que é ele, e que devo matá-lo?

Por Afobório.

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Linha Contínua publicado

andrea-delfuego.jpgO acidente aconteceu, os corpos no chão, a noite desce. Sentada no acostamento vejo as luzes chegando disformes, sou uma náufraga do piche.
Estava naquele carro, lembro quando saímos animados, íamos sem pressa, aqueles no chão são meus amigos.
Roberto, meu amor, sente aqui. Tua voz perfumada, jeito leve, jeito forte, vem cá.
Meu sangue escorre vivo e vai ficando da cor dos vestidos das velhas, bordô. Roberto, eu te amo. Por que não te disse?

Por Andréa del Fuego.

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Simulacros publicado 18/05/2009

carol1.jpgPassaram-se duas horas na imobilidade da falta de luz, entre o violão, algumas palavras faladas ou caladas e o silêncio. A luz do dia amanhecendo começava a entrar pela janela semi-aberta, os barulhos começavam a surgir. Era uma terça-feira. Nunca tinha visto o dia amanhecer numa terça-feira, ela disse. Vamos descer então?, ele sugeriu, descer para caminhar, ver como é o dia amanhecendo numa terça. Pegaram mais uma garrafa de vinho e desceram.

Por Carol Teixeira.

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Esqueça Todo o Resto. publicado 17/05/2009

sintia.jpgTem mais, pare de repetir este seu discurso chinfrim sobre lealdade e fidelidade.Isso não vai convencer ninguém, ninguém. Como queria que ele tivesse sido leal se nem você mesmo soube ser leal a si própria? A pior de todas as traições foi a sua. Então vingue-se de si. Que tal água quente no ouvido enquanto dorme? E se furar os próprios olhos com faca de cortar carne?

Por Sintia Lira.

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