Arquivos de Flash Fiction.

Cogito ergo sum? publicado 24/11/2009

natty.jpgGostaria de sinceridade e de um amor pra me distrair, só. Não tinha nenhum dos dois. Talvez esperasse demais.
Na verdade sempre exagerei, sempre gostei da palavra DEMAIS.
Falava demais, sonhava demais, mentia demais, sentia de menos, vivia do nada.

Por Natalye Alves.

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O dilema do sabão em pó. publicado 20/10/2009

foto_volponi.jpgVocê pega sua lista de compras e vai até o supermercado. Há um corredor inteiro, com vários metros de altura, só com opções de sabão em pó. Sabão de ação direta, dupla ação, tripla ação, multiação, com alvejante, com ação bleach (porque “alvejar” não é um termo claro o suficiente), com suavizante, com poder rosa, com solução anil, com 02, fresh, para roupas brancas, para roupas coloridas, para roupas sensíveis. E agora? Multiação é quantas vezes maior que tripla ação? Ou será que é menor? Não seria melhor ação direta? Para cuecas, o poder rosa está definitivamente fora de cogitação. Mas é melhor ter cuecas alvas ou suaves?

Por Rodrigo Volponi Leal.

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Bem-vindos a Carençolândia publicado 19/08/2009

xs1.jpgO macho carançolandês não passa meia hora separado, não vive sequer o luto amoroso da resoluta que aplicou-lhe um conga no meio da bunda - a padoca mole e farta que dantes já prescrevia o chute. Ele vai lá e agarra a primeira que passa, nem que seja um manequim de gesso, como ocorreu ao meu amigo Sizenando, aquele mesmo que trabalhava como galhudo-mor nas crônicas de Rubem Braga. Enquanto o manequim era levado de um lado a outro da rua, para uma troca de vitrines, ele abofelou-se com a loira gessificada e a entope de gala até hoje.

Por Xico Sá.

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Paisagem Útil publicado 05/06/2009

fab12.jpgApanhou outra garrafa, e deu um gole tão grande que lhe escorreu um pouco no queixo e no peito, onde ficaram alojadas ainda algumas gotas, por causa dos pêlos. Pensou em levantar, mas lhe doíam tanto as coisas por causa de um mau jeito que achou por bem ficar mais um pouco na cama. Afinal o que importava acordar, viver, levantar-se, fazer qualquer coisa. Preferia beber, pois aquilo fazia frente à qualquer metafísica e à monotonia de agruras do dia-a-dia, o tédio de nada de bom acontecer.

Por Fábio Vanzo.

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Deslocado publicado 03/06/2009

sheyla1.jpg- Nem pensar! Igual àquela vez que tu inventaste de acamparmos em Três Coroas e não tínhamos repelente. Fiquei toda embolotada, bah, alergia é meu segundo nome…

- É verdade, amor, lembrei daquela vez que a gente viajou pra São Paulo e tu quiseste jantar num restaurante indiano, começou a ficar toda vermelha e espirrando sem parar. Lembra? Acho que foi em 2003, foi uma ótima viagem!

Por Sheyla Amaral.

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Do Que Ela é Capaz publicado 29/05/2009

douglas1.jpgRoleta russa é o que há, lá. É o único jogo do cassino pós-pós-moderno. Desde que os Estados Unidos unificaram as leis do mundo, cada cidadão tem sua própria pistola, e é com sua parabela recém-comprada que Unombre vai ao cassino, neste dia cinza como todos os outros. Ele tem orgulho de sua novíssima arma, porque gosta de belos desenhos, e o desenho dela é arrojado, aerodinâmico, com linhas retas e alguma diagonalidade. Batizou-a Repetição, por motivos óbvios, por seu alto poderio de tiros por segundo: onze.

Por Douglas Dickel.

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Abra as Pernas e que Deus me Abençoe publicado 23/05/2009

fa1.jpg Enquanto sua grande bunda dura e empinada rebolava em meu quadril e seus gemidos empesteavam meu quarto, eu, um grande colecionador de regras quebradas, olhava orgulhoso para meu reflexo no espelho atrás da porta, calculando a quantos anos de purgatório eu seria condenado. Caso aquela situação tenha sido um teste divino à minha santidade, confesso que fui reprovado com orgulho. Pois não existe nada que aquela “ovelha de Deus” não se submeta a fazer.

Por Felipe Attie.

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Tempo de ablução publicado 14/05/2009

laura1.jpga menina gordinha de dez anos acossada pela mão do pai com uma calça de veludo toda molhada e com os cabelos castanhos presos numa trançinha fina por uma ligueta e ela me olhou e ouvi minha mãe dizer enquanto tentava domar meus cabelos que as liguetas eram imprestáveis e arrebentavam os fios

Por Laura Peixoto.

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O Simbléfaro do Sonho publicado 10/05/2009

bernardo1.jpgSophia deslizou sua calcinha úmida e doce, por onde lhe foge a essência de volúpia e excesso, mesmerizando ambiciosas abelhas e coprófilos colibris; despiu-a; aproximou-se da beirada do teto do Terraço Itália e ejaculou-se rumo à eternidade que estava, há muito - sua efêmera nêmese dissolvida, nua - aderida à intransigência do asfalto.

Por Bernardo Gregori.

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O Velório publicado 10/04/2009

tati1.jpgTal qual aqueles enterros de gente com mais de cem anos que morre dormindo, no fundo achamos óbvia e aceitável a sua partida. Era como se embaixo da gente não estivesse uma história se decompondo, um sonho interrompido de forma tão absurda quanto qualquer pessoa que deixa de existir. Eu estava de ombro de fora e saia curta, reparava com tédio e algum desejo o rapaz de muleta comprando baguete.

Por Tati Bernardi.

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