Cuidadoso, sagaz, metódico, apanhava alguns restos dos sacos plásticos meio abertos, olhava, revirava, cheirava e depois comia. Algumas vezes comia sem cheirar. Outras, cheirava sem olhar. Quase sempre olhava sem comer. E assim, sobre o lixo, sobre sacos, sobre restos, sobre vida vivia. Orbitava dentro daquele universo de resquícios da existência alheia fétidos como ele, descartados como ele e indesejáveis como ele.
Por Jefferson Luiz Maleski.

