Arquivos de Flash Fiction.

O Velho e o Mote publicado 31/03/2009

leticia21.jpgEmbora estivesse com alguns livros no colo, boa parte de suas coxas estava exposta e Kant, Foucault e Flaubert não conseguiram protegê-la da perversão daquele mísero representante das classes menos favorecidas. Muito bem educada e mesmo morta de susto e sentindo náuseas por estar sendo observada pelo lixo, respirou fundo, pediu que o senhor a deixasse passar e finalmente havia chegado à faculdade.

Por Letícia Palmeira.

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Replicante publicado 16/03/2009

denise1.jpgVoltou ao quarto e colocou sua parceira em pé, fazendo-a dar curtos passos trôpegos em direção ao banheiro. Ela era leve e tinha a pele elástica, a resistência ideal que se espera ao tocar uma mulher jovem. A água jorrava tépida e já estava pela metade. Deito-a com cuidado na banheira, ajeitando os cabelos num arranjo que considerou bonito. Fotografou a cena e conferiu o resultado. Ficou legal. Na imagem digital os olhos dela pareciam vidrados, fitando o nada, mas não era um olhar de angústia. Só um olhar vazio.

Por Denise Ravizzoni.

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Viagem publicado 22/02/2009

sheyla1.jpgO medo e o prazer davam-se as mãos e beijavam-se deliciosamente, e ela foi até eles e mordeu suas línguas. Na pista, o frenético movimento de seu corpo, era como uma dança de um ritual tântrico. A cada toque, uma explosão se instalava e sentia como se fosse parte de tudo, um microcosmo girando com brilhos e sons. Cometas violetas desciam por sua boca e atravessavam seus pulmões e sexo.

Por Sheyla Amaral.

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Amor Com Amor se Pagam publicado 15/02/2009

rob3.jpgA fluidez daquele corpo, em total sintonia e harmonia com o dele, fazia-o perguntar o porquê daquilo tudo. Estaria ele sonhando ou aquilo estava realmente acontecendo? Não tinha muito jeito para a dança, mas aquele momento fazia-o constatar que a música era que os estava acompanhando. Suas mãos scanneavam o corpo dela, digitalizando cada poro como quem sente que está capturando a imagem perfeita.

Por Rob Silveira.

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Papai? publicado 28/01/2009

jay1.jpgQueria correr, mas tinha que sentar como uma moça grande. Contar meus planos mirabolantes, mas tinha que ouvir os planos gigantescos dele pra mim. Mesmo nas minhas escolhas, tinha o que fazer o que ele mandava, porque ele era mais velho e sabia melhor. Quando a dor vinha, tinha que agüentar porque a vida é assim, dói, e você tem que aprender a não chorar, senão vão cagar na sua cabeça.

Por Jana Lisboa.

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Afago da Gentileza publicado 15/01/2009

lorena1.jpgVocê sempre foi verde e tenra, jovem e delicada como um botão. Seu jardim era você e eu não entendia o jardim. Mirna, você sempre foi um mistério para mim. Espero que você ainda tenha samambaias e margaridas na sua vida e que não tenha jamais perdido a juventude com que você brindava os botões do seu jardim. Posso dizer que era a coisa mais linda de se ver - e eu não via.

Por Lorena.

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Dormindo Acordada publicado 11/01/2009

jay1.jpgMas, ao observamos bem de perto… sempre haverá uma garota de cachinhos dourados que irá comer o mingau e dormirá nas camas que preparamos com tanto amor e carinho. Algumas pessoas se disfarçarão de velhinhas boazinhas e trarão maçãs envenenadas. Outros lhe chamarão de estúpido por ter trocado uma vaca por sementes, mas essas sementes o levarão através das nuvens para a galinha que põe ovos de ouro.

Por Jana Lisboa.

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Bacante publicado 24/12/2008

sheyla1.jpgNum rompante, ela foi até ele e esfregou seu corpo no dele, sussurrando: “Quer me comer agora?”

O baixote não respondeu, mas seu corpo imediatamente seguiu o dela, em silêncio. Ela estava achando aquilo tudo muito divertido e o ar patético do coroa enfatizava isso. Entraram no quarto e ela fechou a porta.

Por Sheyla Amaral.

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Intensa publicado 19/12/2008

rani1.jpgOs amigos que vieram jantar com ela no sábado estranharam. A comida que sempre fora temperada na medida, com aquele gostinho de carinho de mãe, agora ardia na boca. Os molhos que acompanhavam os pratos eram muito temperados. Lívia comia com prazer. Tudo estava exatamente como ela queria. Os sabores eram exatos. E riu quando os amigos começaram a beber sem parar e a respirar pela boca. Eles ainda não estavam preparados para a intensidade.

Por Ranice Pedrazzi Pozzer.

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Tão Forte Quanto o Aço publicado 12/12/2008

emersont.jpgPor um instante Marcos se deixa levar como que envolto numa nuvem, vê-se em Porto Alegre antes de irem para aquela pequena cidade no interior do Estado. Lembra de Joana no quarto, feliz enquanto preparava as malas para passar o feriado naquela cidadezinha coberta por verde. Joana falava entusiasmada sobre a criação de cavalos Crioulo que havia lá. Marcos ouvia a tudo enquanto fumava um cigarro.

Por Emerson Wiskow.

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