![]()
Numa quinta
acordei
acreditando
que era sexta.
Por Rodrigo Chagas.
Ao seu lado dorme o vazio.
Retira perfume e calor
Ocupa o lugar dela.
Anjos não vê mais
Quando abre os olhos
Só sonha
Por Jefferson Luiz Maleski.
Quisera eu acreditar no amor como algo inventado na idade média, moderna ou antiga.
Que algum filósofo ou escritor pensou e puf! criou o amor.
Fácil assim.
Sem paranóia.
Talvez se acreditasse nisso também acreditaria que posso dizer o que eu quiser que o amor é e puf! acreditariam em mim.
Por Jefferson Luiz Maleski.
Quem nasceu na vida assim
Pobre como eu nasci
Tem que ganhar seu din-din
Saltando daqui prá’li
Quem me viu numa zerada
Que veio lá do Japão
Eu mesmo não tenho nada
Ela é do meu patrão
Por Elói de Paula Pereira.
NHAC!
Abocanham os polegares,
indicadores e os mindinhos…
Deixo o menor cair
e espatifar-se no chão.
Pobre coitado.
Pequenos pedaços
p/todos os lados.
As formigas removem
seus cadáveres.
Não sabia que os pequenos
podiam ser tantos.
Cágados são bacanas,
mais que gatos.
Mais um pseudo-poema de Rodrigo Chagas.
Sou tigre ferido
Sou caso perdido
Sou culpa sem dono
Boêmio sem sono
Sou noite sem fim
Num jogo de azar
Por Elói de Paula Pereira.
Luz e um pouco de sombra,
um punhado de ar, alimento
não muito farto. Sono leve,
janela aberta, brisa amena,
noites serenas, mas deleitosas.
Por Everton Lourenço.
O violão, afinado,
espia minha desarmonia.
Não há melodia
de um acorde só.
Por Reinaldo Melo.
Marmita debaixo do braço
Dentro dela arroz e feijão
Não deu pra deixar dinheiro para o pão
E ele pensa: O que eu posso eu faço…
Chegou na estação
Não desce, é empurrado
No corpo o velho blusão surrado
E lá vai ele ganhar o pão.
Marca o cartão,
E começa a batalha
Sol está quente, a fábrica uma fornalha
Lamenta a vida, xinga o patrão.
Por Vanderlei Lourenço.
Saía de casa,
todos os dias,
para enxugar
as lágrimas do mundo.
Num dia,
morreu afogado.
Por Reinaldo Melo.