Sou tigre ferido
Sou caso perdido
Sou culpa sem dono
Boêmio sem sono
Sou noite sem fim
Num jogo de azar
Por Elói de Paula Pereira.
Sou tigre ferido
Sou caso perdido
Sou culpa sem dono
Boêmio sem sono
Sou noite sem fim
Num jogo de azar
Por Elói de Paula Pereira.
Luz e um pouco de sombra,
um punhado de ar, alimento
não muito farto. Sono leve,
janela aberta, brisa amena,
noites serenas, mas deleitosas.
Por Everton Lourenço.
O violão, afinado,
espia minha desarmonia.
Não há melodia
de um acorde só.
Por Reinaldo Melo.
Marmita debaixo do braço
Dentro dela arroz e feijão
Não deu pra deixar dinheiro para o pão
E ele pensa: O que eu posso eu faço…
Chegou na estação
Não desce, é empurrado
No corpo o velho blusão surrado
E lá vai ele ganhar o pão.
Marca o cartão,
E começa a batalha
Sol está quente, a fábrica uma fornalha
Lamenta a vida, xinga o patrão.
Por Vanderlei Lourenço.
Saía de casa,
todos os dias,
para enxugar
as lágrimas do mundo.
Num dia,
morreu afogado.
Por Reinaldo Melo.
Num ritmo mais frenético
No ato de subir e descer
Subir e descer,
subir e descer
Deixando-o enlouquecido
Completamente envolvido
Você nada fala… apenas, se cala
Ouço, apenas, um gemido
Vejo seus olhos revirando
Você se contorcendo
Num gostoso espasmo
Numa louca explosão
Do delicioso orgasmo
Por Andréa Lucia.
E no meio da nossa realidade,
Nos sentimos tão nús,
Como um recém-nascido!
Nos sentimos tão pobres como um mendigo,
E tão duros, quanto uma pedra!
Somos obrigados a viver na defensiva,
Pois passamos a duvidar de tudo
E de todos,
E nos perguntamos:
Em que ou em quem devemos acreditar?
Por Sanamaria Hamilton.
A Geração de Perdedores, à qual pertenço.
Os pequenos rostos que procuro proteger
em minha mente cansada.
Não gostaria que cada ruga, cicatriz
ou sinal de cansaço que a vida impôs
manchasse o pouco do que lembro dessa tenra época.
Nem os mortos, nem os feridos serão esquecidos
no livro dessa Geração.
Cada um tem seu nome escrito nele.
Seja com dor, sangue ou lágrima.
E até mesmo suor,
nós os escrevemos com dignidade e força,
nós lutamos,
mas “perdemos” se você acredita em derrota.
Por Rodrigo Chagas.
Ficarei isolado e reduzido,
uma fotografia esvaziada de datas.
Os familiares tentarão decifrar quem fui
e o que prosperou do legado.
Haverei de ser um estranho no retrato
de olhos vivos em papel velho.
Por Fabrício Carpi Nejar.