Por Marco Marques e Fernando Ramos.
Se aplaudir é invocar os deuses para que testemunhem um feito de valor, para que julguem a beleza e abençoem as obras dos homens, vaiar deve ser o contrário. Felizmente, podemos dar outro significado ao verbo, ora substantivo VAIA. E talvez estabelecer que VAIA, mesmo, é só para o que não presta.
Há oito anos um grupo de amigos com gosto comum por cerveja, literatura e cultura (não necessariamente nessa ordem), inquietos e movidos por sede de mudança, reuniu-se, no histórico bar Escaler, no bairro Bom Fim, e ali fundou-se o Jornal Vaia. Circulando ininterruptamente desde então, o veículo, que é lido nos principais nichos de cultura de Porto Alegre e RS e em várias capitais e cidades do Brasil afora, ainda viaja trimestralmente para muitos países da América e Europa.
O VAIA foi evoluindo gráfica e editorialmente de forma gradual, publicando em suas páginas uma miscelânea literária de valor, enviada regularmente de todos os cantos do país por dezenas de colaboradores.
Preocupado com o bom gosto artístico e a divulgação de obras e de autores empenhados com a qualidade da arte que produzem, o VAIA tem a pretensão de exercer um papel crítico: formar opinião sem influenciar por via direta, pelo famoso goela abaixo, e discutir idéias dos mais variados matizes. Assim, as tendências sócio-culturais expressas aqui no site (e na versão impressa do jornal) pelos articulistas, escritores, poetas, artistas plásticos, músicos e jornalistas, corroboram a tentativa do jornal em levar aos leitores, de modo democrático, cultura e informação.
Se aplaudir significa chamar os deuses para abençoarem as obras dos homens, uma das funções do VAIA é acordá-los para estarem atentos e não privilegiarem, por distração, o que não merece consideração e aplauso fácil, e torná-los vigilantes e aguçadamente críticos.
Louvando o que bem merece e vaiando para se deixar o ruim de lado.
Publicado no 3:AM Magazine: Wednesday, August 19th, 2009.
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