Poema das Incongruências Humanas

Por Maria Lucia Carone.

Tu e teu mar roseano
preso à margem
dos rios de tua vida
eu solta
navegando em rios
encapelando-me
ondas mortais
tu e tua vida
terrena mundana
aguada plana
eu visceral
perimetral
presa
meus dramas
tu e tuas vestes
n’alma
na palma das mãos
moedas vestem
teu espírito
eu nua
na minha pele
trajando
apenas
as penas
do versejar
tu afeito
aos efeitos
feitos
poderes-morais
eu, amoral
sucumbida
às pedras
ao pó
carrego um nó
atado
meu peito trina…
tu, incompleto
eu no meu teto
tu no topo
eu nas haste
tu feito de pedra
eu talhada na brisa
tu e tua beleza santa
eu e minha idade apócrifa
tu e tuas mulheres cegas
eu e meus homens desbocados
tu em minha vida
eu em minha depedência
nós
vida dupla
culpas
amores
amores?
Completudes
Abnegações
tu, minha ração
eu, tua desproporção.

Sobre a autora:

lucia.jpg

Paulistana e afeita ao mundo urbano, Maria Lucia Carone nasceu em 61, e cresceu vendo de sua janela a paisagem do mundo, então imposto e sem gosto. Pretendia ao crescer ser Arqueóloga e escavar segredos, não foi possível, rumou para a Sociologia, também boa para escavações, mas de outro naipe. Sempre escavou a própria alma e passou a fazer poemas quando nem sabia ainda de seu mundo subterrâneo. Já bem revirado, ainda encontra material para poetar.

Publicado primeiramente no 3:AM Magazine: Sunday, August 30th, 2009.