Uma Busca pelos Sentidos.

Por Sidnei Stadnik. 

O escuro da noite já não assusta. Nem o medo mais importa. O que importa está na mente. E a mente é indomável.
Sentimentos formam as palavras, mas eles são muito mais do que isso. Sentimentos são dispersos, únicos, e as palavras são finitas perante eles. O que é infinito? As possibilidades são. As possibilidades nos animam, e ironicamente nos afligem também. O que vou ser quando crescer? O que farei amanhã? Encontrarei o que busco? De todos os mundos, existe um somente para as possibilidades…
Mas existe também o das esperanças. Mas elas são substantivos abstratos, o que realmente existe são as ações. As esperanças motivam ações, e isso é tudo sobre elas. Realismo? Sim e não. O que é real pra uns não é para outros, aí é que as pessoas se desentendem.
Filosofias e religiões têm seu papel para alcançarmos a compreensão (ou a caricatura dela, ao menos…). E Deus, onde entra? Ele não entra. Ele já está. Sempre esteve, sempre estará. Mas não aquele Deus configurado como programas operacionais, com as restrições que seus programadores (ou igrejas) adotam para que seu uso seja bem limitado, ou ainda com centenas de vírus que sempre nos atormentam a cada acesso a Ele. Falo desse Deus que é inominado e pode ser descrito, talvez, como a força que cada um possui de seguir o melhor caminho para si, e conseqüentemente para seus semelhantes. Falo daquele Deus que é totalmente egoísta, onde o auge de Seu egoísmo é amar as pessoas infinitamente mais do que qualquer pessoa possa amar à outra na terra. Esse Deus sempre aparecerá a quem está preparado a não só aceitá-lo, mas unir-se a Ele, não como seu consolo, mas como seu semelhante. A pessoa que consegue isso, chamo-a de feliz.
Conheci algumas poucas pessoas felizes em minha vida. Busco outras. Tento ainda tornar outras tantas felizes. Isso me faz feliz. Esse é meu Deus: tentar mostrar às pessoas que existem muito mais sentidos do que apenas os cinco mais conhecidos. Tudo busca ter um sentido, e alguns chamam a isso de luta pela sobrevivência, outros, de a sobrevivência dos mais fortes. Porém, a maioria deles não conheceu sequer o sentido da vida ainda, o qual é o mais importante de todos para nós.
Então eu pergunto, você pergunta, todos perguntam: qual é o sentido da vida? Se uma pessoa tentar responder isso para outra, soará como uma carroça a puxar os cavalos. Ou como as notas tocarem as teclas do piano para que os dedos do músico se movam! Isso é como encaixar duas ou mais engrenagens de tamanhos desproporcionais e querer que o relógio funcione igualmente, o que é pior, já que num relógio menor o ponteiro rodará menos do que se estivesse num maior, para que a hora esteja certa. Isso sem falar dos fusos horários.
Como tentativa de resposta a essa pergunta, cito um trecho da música de Bob Dylan: “The answer, my friend, is blowin’ in the wind”.
De resto, que tentemos amar a vida como a nós mesmos, e vejamos o resultado.

Sobre o autor:

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Sidnei Stadnik é acadêmico medíocre de dois cursos. Bacharel em imaginação e criatividade. 26 anos repletos de memórias calculistas e sentimentais ao mesmo tempo, unidas à experiência um tanto abastada de uma vida desregrada. Ainda, memória de milhares de páginas viradas (algumas abarrotadas) dos centenas de livros visitados pelos seus desconfiados olhos de pisciano, misturados com as reflexões acerca da vida e do mundo que o perseguem até hoje.

Publicado primeiramente no 3:AM Magazine: Wednesday, November 4th, 2009.