Velhos Britpoppers Não Morrem

Por Ben Myers (trans. Zan)

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Se, em 1995, alguém tivesse dito em minha, anfetamínica-gula, londres-telespectadora, loira-oxigenada, adolescência que eu estaria escrevendo um texto sobre a proclamada biografia da cantora do Powder eu simplismente teria questionado para que porcaria de fanzine seria.

Como você ja deve ter notado, a ex-cantora com a extremamente péssima e tipicamente banda de camden, ‘membra do grupo Primrose Hill’ é agora — aparentemente — uma benevolente sábia distribuindo conselhos faux-spiritual, pós-reabilitação a qualquer tolo o suficiente que se permite o hábito do uso de cocaína, Pearl Lowe escreveu um livro.

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Eu sempre vi Lowe — Apelidada ‘Dyson’ por sua capacidade de aspirar, aha, pó - num nível de fascinação e nojo, possivelmente porque eu havía comprado o segundo single do Powder ‘Afrodiziak’ e possivelmente porque ela estava saindo com o baterista do Supergrass, que cheguei a gostar por um tempo, e com quem ela famosamente curtiu troca de parceiros com Jude Law e Sadie Frost.

O livro de Lowe é uma grande merda, o tipo de estupidez indulgente que fará straight-edgers correr e comprar algumas gramas na esperança de não acabar tão puro, sóbrio e iludido como Lowe — musicalmente menos relevante que Northen Uproar, tão literário quanto a revista Caras.

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Junto com a publicação do, mais engraçado e eficaz autobiografia de Alex James, A Bit of a Blur, o livro de Lowe nos faz lembrar dos meados da década de 90 quando a música britânica brevemente se uniu num identificavel — se paroquial — movimento que galvanizou uma nova geração de bandas, designers, artistas e possivelmente até políticos.

Britipop não destruiu o indie mas deu um alerta às gravadoras para o apetite do publico por nerds magrelos denunciando a cultura americana e proclamando seu próprio fulgor. Claro, além de algumas cidades européias e o bizarro disco-japonês, o mundo permaneceu largamente despreocupado pelo Britpop, possivelmente por ser um movimento baseado numa cultura reciclada três décadas de importância da referência distintamente Inglesa indicando (as letras de Small Faces, o pesado refrão do Wire, o estilo de vestir de Grange Hill) em vez de qualquer coisa aproximando inovação.

Ainda assim, foi uma época arrebatadora para ser jovem, uma era que viu uma irrupção de criatividade e energia, onde Blur e Oasis eram argumentávelmente os últimos interessantes expoentes. Pessoalmente, eu favoreci o irresponsável adolescente espírito do supracitado Supergrass ou até a desembaraçada conivência entre cinco oportunistas de Camden e jornalistas que resultou no absolutamente forçado — mas por seis semanas em 1995, super brilhante — Menswe@r. Eu até comprei alguns dos trabalhos do Shed Seven.

Esta onda nostálgica pelo Britpop é compreensível, porque era o último movimento musical antes que a internet chegasse e levasse embora a mística e mitologia das bandas. O livro de Lowe cai no lado errado do Britpop — o ambiente que deu aos forçados do NW1 uma chance para apobrecer a cena e fazer suas apostas no rock apócrifo, sabendo que sempre haveria reabilitação e uma casa grande, uma casa bem grande no interior esperando por eles quando isto tudo fosse à merda.

O que é surpreedente é que o Britpop ainda continua por aqui. The Libertines, que eram as crianças no meio da multidão nos anos 90 pegaram o que restava e desovaram uma nova geração de meros imitadores. Kaiser Chiefs é um Blur piorado e Kasabian um ainda mais tolo Oasis. Simon White do Menswe@r agora dirige Bloc Party, Louise Wener do Sleeper é uma romancista de sucesso, Javis Cocker é mais creditável que nunca e ate Kula Shaker continua popular no circuito de festivais internacionais. A lista continua.

Pessoalmente, eu mal posso esperar pela próxima rodada de biografias do pós-britpop. Os livros do The Bluetones, Cast e Heavy Stereo devem ser ainda mais maravilhosos, se pelo menos souber assimilar algumas dicas de qual o melhor jeito de lavar um retro Kangol sujo.

SOBRE O AUTOR
Ben Myers é um romancista, poeta, musico-jornalista e contribuidos regular do 3:AM.

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Publicado primeiramente no 3:AM Magazine: Wednesday, July 25th, 2007.